Bruxelas pede que países da UE usem verbas da coesão para responder à crise energética

A Comissão Europeia apelou hoje aos Estados-membros da União Europeia (UE) para que recorram às verbas da coesão, executando e reprogramando-as, para apoiar as regiões mais afetadas pelos elevados preços devido à atual crise energética.

Bruxelas pede que países da UE usem verbas da coesão para responder à crise energética
Bruxelas

A Comissão Europeia apelou hoje aos Estados-membros da União Europeia (UE) para que recorram às verbas da coesão, executando e reprogramando-as, para apoiar as regiões mais afetadas pelos elevados preços devido à atual crise energética.

Em causa está uma carta hoje enviada pelo vice-presidente executivo para a Coesão e Reformas, Raffaele Fitto, aos ministros da UE responsáveis pela política de coesão, na qual o responsável “explica que os Estados-membros podem acelerar a utilização do Fundo para a Transição Justa sempre que possível e necessário, através de várias medidas, incluindo a criação de novos instrumentos financeiros, financiamento não associado a custos e outros ajustamentos programáticos”, indica a instituição em comunicado.

“Na sequência da revisão intercalar da política de coesão, que levou à reafetação de fundos para as prioridades estratégicas da União Europeia, a Comissão Europeia apelou aos Estados-membros e às regiões para intensificarem a utilização das oportunidades financeiras disponíveis, de forma a apoiar as comunidades e regiões mais afetadas pela crise energética”, adianta Bruxelas.

A instituição refere que os Estados-membros podem reafetar verbas do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e de outros instrumentos da política de coesão para projetos destinados a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e a reforçar a estabilidade dos mercados energéticos.

A Comissão Europeia irá também dirigir uma comunicação às regiões europeias, incentivando-as a utilizarem estes recursos em investimentos energéticos com impacto rápido, alinhados com as prioridades nacionais e regionais.

No âmbito da revisão intercalar da política de coesão, já foram reafetados 34,6 mil milhões de euros para áreas como segurança energética, competitividade e defesa.

Citado pela nota, o comissário europeu Raffaele Fitto vinca que o objetivo passa por “redirecionar rapidamente os recursos de coesão disponíveis para investimentos que proporcionem alívio imediato às famílias e empresas afetadas pelos elevados preços da energia”.

O Fundo para a Transição Justa, integrado na política de coesão da UE para 2021-2027, visa apoiar os territórios mais afetados pela transição climática, promovendo a diversificação económica e reduzindo desigualdades regionais.

Em Portugal, a política de coesão assume particular importância por ser uma das principais fontes de investimento público europeu.

A UE importa a maior parte do petróleo que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética relacionada com o conflito que envolve Irão, Estados Unidos e Israel.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.
Espanha obriga a documentos digitais no transporte de mercadorias a partir de outubro

Espanha obriga a documentos digitais no transporte de mercadorias a partir de outubro

Maria Teixeira Alves2 Set
Os motoristas terão de estar munidos do respetivo DeCA durante as operações de transporte de mercadorias com origem e destino em território espanhol, incluindo as operações de cabotagem realizadas por transportadores de outros Estados-membros da União Europeia. A medida representa, segundo o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), mais um passo na modernização do setor.