Bolsas regressam aos máximos, mas Fed endurece e software fraqueja

A debilidade do setor de software continua, assim, a impedir o Nasdaq e o S&P 500 de acompanharem os máximos históricos alcançados pelo Dow Jones, Russell 2000 e Stoxx 600.

Bolsas regressam aos máximos, mas Fed endurece e software fraqueja
software

Na reunião desta semana, a Reserva Federal dos EUA manteve a taxa de juro de referência inalterada no intervalo 3,50% a 3,75%, mas adotou um tom mais restritivo relativamente à orientação futura da política monetária. Além disso, o novo outlook macroeconómico revelou uma deterioração das perspetivas para a economia norte-americana, apontando para uma inflação mais elevada e um crescimento ligeiramente mais fraco, enquanto a confiança na resiliência do mercado de trabalho foi o único ponto positivo. O PIB norte-americano deverá crescer 2,2% em 2026, abaixo dos 2,4% estimados em março. A taxa de desemprego prevista para o final do ano passou de 4,4% para 4,3%, em linha com os dados mais recentes.

Em março, a Fed estimava que a inflação PCE terminasse o ano nos 2,7%, mas a nova projeção aponta para 3,6%. A inflação subjacente foi igualmente revista em alta, de 2,7% para 3,3%. Perante a crescente preocupação com a persistência das pressões inflacionistas, muitos membros da Fed adotaram uma postura mais restritiva. O aumento dos preços da energia, ditado pelo conflito no Médio Oriente, e o consequente efeito de contágio para outros setores da economia continuam a comprometer a convergência da inflação para a meta de 2%.

De acordo com o dot plot, o gráfico que reúne as projeções individuais dos membros do comité relativamente à evolução futura das taxas de juro, há três meses praticamente ninguém antecipava novas subidas. Agora, nove dos dezanove membros da Fed acreditam que será necessário aumentar as taxas ainda este ano. Destes, seis consideram mesmo que poderá ser necessária mais do que uma subida de 25 pontos base. A combinação de uma inflação mais elevada e de um mercado de trabalho mais resiliente levou muitos membros a adotar uma postura mais agressiva. Assim, a reunião revelou uma Fed bastante mais hawkish do que em março.

Após a divulgação da decisão da Fed e de um dot plot significativamente mais restritivo do que o esperado, os mercados acionistas foram agravando as perdas ao longo do discurso do novo chairman, Kevin Warsh. As taxas de juro de longo prazo subiram e os preços das obrigações do Tesouro recuaram. Ainda assim, o sentimento positivo desde o final da semana passada impulsionado pelo anúncio de um acordo entre os EUA e o Irão permitiu que os índices acionistas norte-americanos Dow Jones e Russell 2000 e o pan-europeu Stoxx 600 atingissem novos máximos históricos no início desta semana, impulsionados sobretudo pelos setores industrial e financeiro e pelo eventual alívio das tensões geopolíticas no Médio Oriente. Na Europa, a perspetiva de reabertura do Estreito de Ormuz e de normalização do abastecimento energético contribuiu para uma recuperação generalizada do mercado.

Já o setor do software continua a evidenciar sinais de fragilidade. O índice norte-americano de software IGV (iShares Expanded Tech-Software Sector ETF) regressou a mínimos de meados de maio, enquanto a Microsoft negoceia perto dos mínimos de meados de abril. Também a Bitcoin recuou para mínimos da última semana. A forte correlação positiva entre o setor do software e a BTC tem sido uma das características mais marcantes dos mercados financeiros nos últimos anos, refletindo a elevada sensibilidade do software e da principal criptomoeda à capacidade de monetizar os avultados investimentos realizados e de corresponder às expectativas de retorno dos investidores. A debilidade do setor de software continua, assim, a impedir o Nasdaq e o S&P 500 de acompanharem os máximos históricos alcançados pelo Dow Jones, Russell 2000 e Stoxx 600.

Relacionado