A farmacêutica britânica AstraZeneca está a negociar uma fusão com a sua concorrente norte-americana Bristol Myers Squibb. Se o acordo for para a frente vai ser criado um dos maiores grupos farmacêuticos do mundo, avaliado quase em 400 mil milhões de dólares (cerca de 350 mil milhões de euros).
O diário Financial Times, aponta que as duas empresas têm estado em discussões sobre uma possível fusão há alguns meses, podendo chegar a um acordo em breve.
Apesar da vontade da farmacêutica britânica, esta notícia gerou preocupações nos investidores, e fez com que as ações da segunda empresa mais valiosa do Reino Unido abrissem a primeira sessão de agosto a registar perdas de quase 7%. A AstraZeneca está avaliada em na Bolsa de Londres, em 196 mil milhões de libras (229 mil milhões de euros), enquanto a Bristol Myers Squibb está cotada em 133 mil milhões de dólares (115,3 mil milhões de euros).
Esta fusão representaria uma das maiores operações farmacêuticas da história e formaria a quarta maior farmacêutica do mundo em valor de mercado. Assim como ampliaria a presença da farmacêutica britânica no mercado norte-americano.
Contudo, a fusão pode levantar possíveis riscos regulatórios e um grande escrutínio pelas autoridades antitrust dos Estados Unidos sob a administração Trump.
O mercado norte-americano é um dos objetivos da AstraZeneca, que pretende, até 2030, extrair metade dos seus lucros deste mercado, enquanto planeia investir 50 mil milhões de dólares (43,3 mil milhões de euros) em quatro anos.
Relembre-se que no ano passado a farmacêutica britânica passou, também, a estar cotada na bolsa de valores norte-americana, mostrando assim uma aproximação ao mercado norte-americano.
A empresa norte-americana, que viu o seu resultado, no segundo trimestre, chegar aos 3,3 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros), tem vindo a procurar acordos de menor porte para adquirir novos medicamentos, tendo em 2019 adquirido a Celgene por cerca de 80 mil milhões de dólares.
Investidores e analistas ouvidos pela “Reuters”, afirmam que a AstraZeneca não tem uma necessidade óbvia de avançar com esta fusão, que “não faz sentido estratégico nem financeiro”, referiu à “Reuters” Markus Manns, gestor de portfólio da Union Investment, acionista da AstraZeneca.