João Gonçalves Pereira, Administrador de Empresas

Alunos sem professores

A desigualdade educativa não existe apenas entre o ensino público e o ensino privado, essa desigualdade também existe quando entre os alunos do ensino público uns têm professores e outros não.

Todos os anos o País é confrontado com a triste realidade da falta de professores no arranque do ano letivo. Este ano, para cumprir a lamentável tradição, cerca de 80.000 alunos vão começar o seu ano escolar sem um ou mais professores.

Algo não vai bem, mas quando lemos ciclicamente estas notícias até já parece que tudo isto é normal. Mas não é, nem pode passar a ser considerado como normal. Porém, se esta circunstância é recorrente, então isso significa que alguém ignora os erros do passado e aparentemente não faz qualquer esforço para tentar resolver esta lesiva situação que afeta milhares de jovens por todo o País.

É na Educação que o Estado tem um dos maiores encargos financeiros – e bem! – porque a educação é um processo social que pode fazer a diferença entre o sucesso ou o insucesso das gerações futuras de um País. Sempre que vejo este tipo de notícias questiono a forma como o Estado faz uso do dinheiro público, proveniente dos impostos que muitos de nós pagamos.

Não posso estar mais de acordo com Nelson Mandela quando disse: “A educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal. É através dela que a filha de um camponês se torna médica, que o filho de um mineiro pode chegar a chefe de mina, que um filho de trabalhadores rurais pode chegar a presidente de uma grande nação.”

A desigualdade educativa não existe apenas entre o ensino público e o ensino privado, essa desigualdade também existe quando entre os alunos do ensino público uns têm professores e outros não. E essa discriminação negativa penaliza gravemente os alunos que não têm professores, porque estes “malfadados” alunos não têm acesso às aulas, aos trabalhos de casa, aos trabalhos de grupo, e aos tão imprescindíveis exames. Há quem diga que isto é normal. Não, não é mesmo!

Agora imagine-se, o que seria do sistema educativo público se todos os alunos do ensino privado migrassem para o ensino público? Não quero imaginar.

As assimetrias educativas entre o ensino público e privado são cada vez maiores. E nós pais, encarregados de educação, e seguramente também os professores, queremos o melhor ensino para os nossos jovens, seja no público ou no privado. É a qualidade do ensino de hoje que vai determinar o crescimento e o sucesso do País amanhã.

Confesso que não acompanho de perto o tema das carreiras dos docentes ou sequer o detalhe do seu quadro remuneratório na escola pública, mas de uma coisa tenho a certeza: ser professor neste país não é tarefa fácil. Os professores perderam autoridade perante o aluno. A profissão perdeu atratividade. E os salários são objetivamente baixos.

Os problemas no ensino são muitos. Algo tem necessariamente de mudar.

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