Alemanha propõe associação da Ucrânia à União Europeia antes da adesão formal

"É evidente que não seremos capazes de concluir o processo de adesão num futuro próximo, tendo em conta os inúmeros obstáculos, bem como as complexidades políticas dos procedimentos de ratificação", escreve o chanceler alemão Friedrich Merz.

Alemanha propõe associação da Ucrânia à União Europeia antes da adesão formal
epa12566341 German Chancellor Friedrich Merz looks on during a meeting of the cabinet at the Chancellery in Berlin, Germany, 03 December 2025. EPA/CLEMENS BILAN

O chanceler alemão Friedrich Merz sugere associar a Ucrânia à União Europeia, na ausência de uma adesão que levará tempo, numa carta dirigida aos líderes da UE, obtida hoje pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“É evidente que não seremos capazes de concluir o processo de adesão num futuro próximo, tendo em conta os inúmeros obstáculos, bem como as complexidades políticas dos procedimentos de ratificação”, escreve Merz.

Consequentemente, Berlim propõe conceder a Kiev o estatuto de “membro associado”, uma “etapa decisiva” antes de uma adesão plena e completa.

O chefe do Governo alemão esclarece que não se trata de uma forma de “adesão ‘light'”, de segunda categoria, em resposta a uma Ucrânia que sempre se mostrou reticente face a diferentes ideias que visam fazê-la esperar no caminho da adesão.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reivindica uma “adesão plena” à UE, de preferência em 2027.

Na carta, dirigida, entre outros, ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Merz detalha como poderá ser o estatuto de “membro associado”.

Segundo o governante alemão, este permitiria à Ucrânia participar em certas reuniões do Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de Governo da UE, dispor de um comissário europeu “associado”, sem pasta, e de deputados europeus “associados”, sem direito de voto.

A Ucrânia obteve, em dezembro de 2023, o estatuto de candidato oficial à adesão à UE, mas as negociações de adesão estão paralisadas desde então, devido a um veto da Hungria, então liderada por Viktor Orbán.

A vitória de Peter Magyar nas legislativas húngaras de 12 de abril muda a situação, pelo que a Alemanha e a maioria dos outros países da UE esperam que as negociações de adesão arranquem oficialmente, embora já tenham sido realizadas discussões informais com Kiev.

As negociações prometem ser longas e árduas, nomeadamente no que diz respeito ao setor agrícola. A Ucrânia é um importante produtor agroalimentar e o seu peso preocupa alguns países, entre os quais a França.

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