Alemanha aprova estratégia para reduzir dependência da China

A estratégia apresentada esta quinta-feira, pela ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, passa por reduzir a dependência em “sectores críticos” como a medicina, baterias de lítio usadas nos carros elétricos e metais raros essenciais para o fabrico de chips.

Alemanha aprova estratégia para reduzir dependência da China
leitor_608c31a9ca7f8_annalena-baerbock.png

A Alemanha vai reduzir a dependência da China, o seu principal parceiro comercial, em “sectores críticos” como a  medicina, baterias de lítio usadas em carros elétricos e metais raros essenciais para o fabrico de chips.

A “Estratégia para a China”, aprovada pelo governo federal, foi apresentada esta quinta-feira, 13 de julho, pela ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock. O documento de 61 páginas consagra as diretrizes das relações futuras do motor da Europa com a segunda maior economia do mundo.

A China é há já vários anos o mais importante parceiro comercial da Alemanha, com o comércio bilateral a atingir uns 300 mil milhões de euros anuais.

“A China mudou. Como resultado dessa mudança e das decisões políticas da China, precisamos mudar a nossa abordagem”, afirma o documento que defende a manutenção dos laços económicos, mas “a redução da dependência em áreas críticas pelos riscos que representam”.

O documento aponta, por exemplo, dependências na área das tecnologias médicas e dos produtos farmacêuticos postas a nu durante a pandemia da Covid-19. Existem também dependências críticas noutras áreas fundamentais como os metais raros e outros produtos necessários para a transição energética.

O chanceler, Olaf Scholz, escreveu, no Twitter, que o governo federal reage a uma China que mudou e está assumir uma postura mais ofensiva. “Para nós, a China é e continuará a ser um parceiro, concorrente e rival sistémico.”

A mensagem do governo alemão, salientou, é clara: “queremos viver em paz e liberdade junto com todos os nossos parceiros, com todos os países do mundo – mas  não somos ingénuos”. As dependências unilaterais devem ser reduzidas – esta é a grande lição que a Alemanha retirou da agressão russa contra a Ucrânia. Quando eclodiu a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Alemanha era fortemente dependente do gás russo e não tinha uma política de defesa.

Governada por uma coligação tripla – Partido Social-Democrata (SPD), do centro-esquerda, Os Verdes e o Partido Liberal (FDP) -, com a política externa nas mãos dos Verdes -, os valores dão mostras de se sobreporem aos interesses. O país está numa nova rota energética e de defesa e faz prevalecer os valores humanistas, como se vê pela decisão estratégica de diminuir a dependência da China.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.