Já não será possível para as gerações vindouras pensar em negócio sem pensar no futuro da sustentabilidade. O futuro de amanhã já começou ontem. As mudanças no ecossistema e na cadeia de valor são evidentes e prendem-se com detalhes que assumem uma importância do mais elevado estatuto.
O Pacto Mundial das Nações Unidas, do qual fazem parte mais de 21 mil empresas, instituições, é a maior iniciativa de sustentabilidade mundial e permite que se as boas intenções sejam no futuro boas ações. Acredito que a responsabilidade de firmar um pacto como este faz com que as empresas se unam num caminho percorrido com várias metas porque a união, diz a sabedoria popular, faz a força.
É com esta convicção que na meta para cumprir os Dez Princípios, que integram o Pacto Mundial da ONU, temas como a protecção do meio ambiente, os direitos humanos e laborais ou a luta contra a corrupção ganham palco, como personagens principais no contexto empresarial. Se cada empresa tinha, até então, o dever de assumir compromissos internos e fazê-los chegar a bom porto, a ideia que todas juntas se unem por uma mudança efectiva de comportamentos, de atitudes para deixar o mundo melhor, é absolutamente transcendental o que pode vir aí.
Imagine-se: a sustentabilidade como valor integrado na cultura, na estratégia e nas acções do dia-a-dia de cada uma das vinte e uma mil instituições. Multipliquemos este número por cada um dos postos de trabalho. Quantas pessoas estão unidas à volta do mesmo fim? É magnânimo um imaginário que permite sonhar com tantas possibilidades efectivas de mudança. Um passo de cada vez, até corremos a maratona que permitirá deixar um mundo melhor, mais capaz, mais justo.
É claro que não chegámos à necessidade de nos unirmos porque houve inconsciência, mas a tomada de consciência de que cabe a cada um, no seu negócio, fazer um bocadinho mais, unidos pela chancela das Nações Unidas, torna-nos embaixadores de empresas altamente focadas na meta.
Amanhã, num amanhã que está muito perto, as candidaturas a uma vaga de emprego não terão só em conta o salário, os bónus, as políticas de retenção de talento, mas também as políticas de ESG. Vai ser um selo de qualidade. Uma condição. Mais que um orgulho, uma garantia que se trabalha num local onde os balancetes não se sobrepõem ao que realmente importa – um futuro melhor.
E esse futuro é desenhado hoje. Já não pode ser um esboço, uma tarefa que se adia porque há coisas mais importantes na agenda, com a ideia que ainda há tempo. Não há tempo a perder. E vinte e uma mil empresas sabem-no. E orgulhosamente arregaçam as mangas e comprometem-se a fazer melhor.
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.