Ricardo Santos Ferreira

A ilha Albuquerque

Nesta altura, Miguel Albuquerque é uma ilha, rodeado por casos judiciais por todos os lados e deslocado na relação com uma oposição que se tornou maioritária.

A Madeira vai a eleições, outra vez. Será a terceira vez que os madeirenses e porto-santenses serão chamados às urnas em menos de ano e meio, o que quer dizer que a região autónoma tem vivido todo este tempo em acesa campanha eleitoral e assim vai entrar no novo ano.

A moção de censura apresentada pelo Chega, partido que até agora se abstinha e sustentava o governo minoritário do PSD/CDS-PP, vai teimosamente só ser votada a 17 de dezembro, fazendo com que as decisões políticas se mantenham em suspenso, mas permitindo que se discuta um orçamento regional que ninguém sabe quem concretizará. Não há programa de governo que resista a isto e começa a não haver quadro político que suporte tanta tática. Só não é trágico porque a administração vai funcionando sozinha.

Nesta altura, Miguel Albuquerque é uma ilha, rodeado por casos judiciais por todos os lados e deslocado na relação com uma oposição que se tornou maioritária, o que na ótica social-democrata, pelo histórico do partido regional, se considera uma singularidade.

Há muito que a questão de Albuquerque deixou de ser de legitimidade ou de presunção de inocência e de como devem os indivíduos reagir aos diferentes passos de um processo judicial, para se tornar uma questão política efetiva. Quando se está cercado e maniatado na ação governativa, quando todo o contexto se sobrepõe à gestão do interesse público, atropelando-o, a questão é política. E vai ser, também, de sociedade, de quanto tempo mais os eleitores conseguirão tolerar este circo sem reação, sabendo-se, pelos resultados eleitorais e pelas sondagens, que ninguém os entusiasma.

Relacionado

Aguiar-Branco convoca conferência de líderes para 5.ª feira para decidir data da moção de censura do Chega

Aguiar-Branco convoca conferência de líderes para 5.ª feira para decidir data da moção de censura do Chega

“Quero avaliar com os líderes parlamentares a definição da data a partir da qual se devem contar os três dias para efeitos de levar à discussão na Assembleia da República”, afirmou José Pedro Aguiar-Branco, em declarações aos jornalistas nos Açores, uma vez que a moção de censura deu entrada “num período de interrupção dos trabalhos parlamentares”
Chega ameaça Governo com moção de censura, PS afasta e IL apela à estabilidade

Chega ameaça Governo com moção de censura, PS afasta e IL apela à estabilidade

Bianca Marques28 Ago
O Chega admite avançar já na próxima semana com uma moção de censura ao Governo, aumentando a pressão sobre o executivo. Apesar da iniciativa, a aprovação do texto é, para já, considerada pouco provável, com o PS a afastar o cenário, a Iniciativa Liberal a defender estabilidade política e o PCP a não excluir o recurso aos instrumentos parlamentares disponíveis.