Annie Criscenti, Deputy CEO da Younited em Portugal

Para pouparmos é preciso educarmos

A educação financeira assume um lugar tão ou mais importante que a escolaridade quando se tenta explicar a variação de riqueza das famílias. Ou seja, a criação de riqueza não depende do grau académico de cada indivíduo, mas sim de uma boa gestão do património e finanças.

A preocupação com a literacia financeira dos portugueses é cada vez um tema mais abordado. Contudo, poucos estão à vontade para debater, apesar da grande importância que este representa no nosso quotidiano.

De acordo com os dados publicados pelo Banco Central Europeu no artigo “A comunicação do BCE com o público em geral”, dos 19 países que integram a zona euro, Portugal ocupa o último lugar no ranking de literacia financeira. Para efeitos de estudo, foram colocadas 5 questões aos inquiridos relacionadas com a diversificação de risco, inflação, juros compostos e aritmética.  Apenas 25% dos portugueses inquiridos conseguiu acertar em três perguntas, um número muito aquém quando comparado com os 65% de alemães que responderam corretamente ao mesmo número de questões.

A questão que se levanta sobre a importância da literacia financeira pode gerar outra incógnita, quando olhamos para uma das maiores economias da Europa e do mundo, a da Alemanha: será que que quanto maior for o grau de literacia financeira de uma sociedade, mais rica esta será? Se assim for, a prosperidade de uma sociedade estará dependente da riqueza desta e, atenção, não falamos de um Estado rico, falamos de um Estado e de uma população mais ricos. Mas assim, para que esta riqueza seja gerada, está implícito que a população esteja financeiramente instruída.

Esta associação de fatores pode justificar-se através do conhecimento e consciencialização de termos que estamos habituados a ouvir, mas que normalmente não entendemos o seu verdadeiro significado, como por exemplo “poupança”, “orçamento”, “investimento” e “dívida”. Como e porquê? Todos dependem uns dos outros, e para conseguirmos fazer uma boa gestão das nossas dívidas, é implícito que haja um orçamento familiar mensal, para que se torne possível fazer um plano de poupança e/ou investimento.

Neste sentido, a educação financeira assume um lugar tão ou mais importante que a escolaridade quando se tenta explicar a variação de riqueza das famílias. Ou seja, a criação de riqueza não depende do grau académico de cada indivíduo, mas sim de uma boa gestão do património e finanças.

No seguimento deste panorama, surge uma nova questão: será a educação financeira uma das respostas às desigualdades económicas de uma sociedade? Podemos considerar que sim.

Se, ao contrário do que acontece atualmente, acrescentarmos ao currículo pedagógico dos ensinos básico e/ou secundário disciplinas dedicadas a este tema, certamente que os jovens estarão mais preparados para o início da vida adulta e, consequentemente, para a gestão dos seus bens e remunerações. Assim, estarão também aptos a desenvolver mais facilmente planos de poupança, ficando mais preparados para crises inesperadas, como a que vivemos hoje provocada pela guerra na Ucrânia.

É importante incutir aos jovens em idade escolar estes conhecimentos, é igualmente importante introduzi-los junto da população mais experiente. Estes, para além da falta de literacia financeira, carecem também de conhecimento tecnológico, sendo, por isso, importante inteirar a população mais idosa dos serviços bancários disponíveis online. Desta forma, a população mais envelhecida estaria mais alerta para os perigos como burlas ou roubos.

A literacia financeira é importante e faz falta em Portugal. Para a economia e sociedade portuguesas prosperarem, é importante que os portugueses percebam como gerir o seu património, para que lhes seja possível a realização de uma poupança. Só desta forma, os portugueses conseguirão garantir um maior poder de compra, uma menor probabilidade de sobre-endividamento e, claro, uma preparação maior para o futuro.

Educando os portugueses financeiramente, estaremos a preparar a sociedade para entender o que é ter uma alta taxa de inflação, a influência das taxas Euribor ou estar apto para compreender mais facilmente as medidas adotadas pelo executivo.

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