Avião militar dos EUA faz voo misterioso até Moscovo

Um avião Boeing C-17 aterrou em Vnukovo sem explicação oficial, alimentando especulação sobre missão diplomática ou troca de prisioneiros

Avião militar dos EUA faz voo misterioso até Moscovo
epa13095808 People enjoy a view of the main building of Moscow State University and St. Andrew’s Monastery in Moscow, Russia, 07 July 2026. EPA/SERGEI ILNITSKY

Um avião de transporte militar Boeing C-17 Globemaster III pousou na manhã desta terça-feira, 25 de agosto, em Moscovo, atiçando a curiosidade de jornalistas e comentadores sobre a razão do misterioso voo. As principais especulações apontam para uma missão diplomática relacionada com a guerra na Ucrânia ou para uma troca de prisioneiros.

O gigante quadrimotor, pilar da frota de logística da Força Aérea dos Estados Unidos, não entrava em espaço aéreo russo desde a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin, em 2022. Desta vez, voou com o sistema de localização ligado.

O C-17, com o indicativo RCH4555 e número de série 07-7181, tinha deixado a Base Conjunta Andrews, junto a Washington, rumo a Riga. Da capital da Letónia, descolou esta manhã, pousando às 10h04 de Moscovo (08h04 em Lisboa) no aeroporto de Vnukovo, o terceiro mais movimentado da Rússia.

 

O trajeto e o momento político sugerem que alguma missão diplomática relativa à guerra poderá estar por detrás do voo. Meios de comunicação russos publicaram ainda vídeos de uma comitiva de carros com matrícula da Embaixada dos EUA a passar pelo centro de Moscovo com escolta policial.

Nem a Força Aérea norte-americana nem o Kremlin confirmaram, até ao momento, o motivo da viagem. Questionado sobre o assunto, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, respondeu não dispor dessa informação. O voo surge poucos dias depois de o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ter afirmado ter identificado uma possível oportunidade para uma nova mediação norte-americana no conflito com a Rússia.

O perfil operacional do C-17 favorece, aliás, a hipótese de uma operação de troca de prisioneiros. No dia 11 deste mês, Moscovo libertou o ex-fuzileiro naval Robert Gilman, detido há mais de quatro anos sob acusação de agressão a um polícia, que regressou aos EUA a bordo de um avião de evacuação médica.

Dmitri Pesko voltou a falar sobre a criação de uma zona livre a ser administrada por um “terceiro ator” em Donetsk, região estratégica no leste da Ucrânia, da qual a Ucrânia detém cerca de 15% do controlo territorial.

Também citou a presença de uma força de manutenção da paz internacional, liderada pela aliança militar ocidental NATO, para garantir quaisquer tréguas.

Peskov encolheu os ombros e repetiu a argumentação russa habitual. “O Donbass é parte da Rússia”, afirmou, rejeitando também a presença de forças ocidentais no país invadido.

O governo de Putin acredita que pode vencer militarmente na região. Esta terça-feira, avançou mais um pouco na frente da região, tomando uma aldeia. O foco da campanha é deixar expostas para um assalto final as cidades da chamada “cintura de fortalezas” de Donetsk.

Em sentido contrário, Kiev manteve os seus ataques assimétricos contra a Rússia, matando pelo menos duas pessoas em ataques a refinarias de Krasnodar e Rostov, regiões no sul do país vizinho.

A campanha recente contra os sistemas energético e logístico russos tem causado dores de cabeça a Putin. Após atingir cerca de 20 centros da gigante do retalho online Wildberries, a “Amazon russa”, a Ucrânia passou a enviar drones contra armazéns e unidades de distribuição da Ozon, a segunda maior empresa desse mercado.

Pelo menos quatro instalações foram atingidas no fim de semana. Enquanto isso, as filas nos postos de combustível, que chegam a durar mais de quatro horas, tornaram-se a norma até em Moscovo, onde um racionamento de gasolina e gasóleo entrou em vigor na semana passa

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