A Ford desistiu da grande aposta nos veículos elétricos obrigando a marca norte-americana a assumir perdas de 19,5 mil milhões de dólares (16,5 mil milhões de euros).
A marca opta pelo recuo num momento em que os EUA cancelaram o alívio fiscal aos carros elétricos.
Para a Ford, metade das suas vendas em 2030 vão ter origem em pequenos carros 100% elétricos, mais baratos, híbridos elétricos e EREV, veículos 100% elétricos, mas com um pequeno motor a combustão que serve apenas para recarregar a bateria, não acionando as rodas, mas funcionando apenas como gerador.
A marca deitou fora os planos para grandes pickups à americana movidas apenas a eletricidade, prevendo agora lançar versões híbridas. A Ford cancelou o lançamento do jipe 100% elétrico da série F, com a produção a focar-se a partir de agora nos modelos a gasolina e híbridos e a transformar uma fábrica destinada a carros elétricos numa de componentes para baterias. O F-150 Lightning vai agora ganhar uma versão híbrida.
“O recuo estratégico da Ford é um reconhecimento claro das mudanças reais nos mercados e a procura pelos consumidores”, segundo os analistas da Morgan Stanley que apontam que as mudanças “são dolorosas” para a empresa, mas que a marca precisa de melhorar a rentabilidade e alinhar-se com os interesses dos consumidores.
As vendas de carros elétricos nos EUA afundaram 40% em novembro com o fim dos 7.500 dólares de crédito fiscal no final de setembro. O apoio vigorava há 15 anos.
Em outubro, a General Motors anunciou perdas de 1,6 mil milhões de dólares ao ajustar a sua estratégia para os carros elétricos. Já a Chrysler também recuou nos seus planos, cancelando o lançamento da versão elétrica do jipe Ram.
“A decisão da Ford era esperada, e deve ser esperada para outras empresas, dada a nova realidade no ambiente dramaticamente mais fraco nos EUA, procura mais fraca”, segundo os analistas do Barclays.