Economista Luís Cabral defende menor carga fiscal sobre trabalho

Reduzir IRC? "Não faz sentido. Neste momento, o grande problema do empresa é a legislação laboral", destaca o economista Luís Cabral ao Jornal Económico na edição desta sexta-feira, 21 de junho.

Economista Luís Cabral defende menor carga fiscal sobre trabalho
Luís Cabral

O economista e professor de Economia na New York University, Luís Cabral, sustenta que não faz sentido reduzir o IRC, defendendo em contrapartida uma menor carga fiscal sobre o trabalho. Para Luís Cabral, em entrevista ao Jornal Económico esta sexta-feira, o Governo deve apostar no alívio da carga fiscal e compensá-la através de receitas do IMI, IRC ou imposto sobre sucessões.

“Há um aspeto que também falta muito em Portugal que é diminuir a carga fiscal: deveria haver uma redução drástica da tributação do trabalho. Porque, neste momento, uma empresa que queira dar a um trabalhador mil euros para levar para casa tem de gastar próximo de dois mil euros”, refere ao JE.

“É muito difícil que as empresas tenham incentivos em criar empregos, de qualidade, de proximidade, de alto salário. Isso tem a ver com o facto de não haver muitos incentivos para a criação desses empregos, porque é algo que exige da parte do empregador um investimento muito significativo, devido à regulamentação laboral, tributação do trabalho”, sustenta Luís Cabral numa das suas passagens por Portugal.

E qual a ideia para compensar? Reduzir IRC? “Não faz sentido. Neste momento, o grande problema do empresa é a legislação laboral”. “Penso que seria melhor tirar carga do trabalho e pô-la mais nas empresas e na propriedade. Aliviava o pagamento das contribuições sociais. As empresas passariam a gastar menos, para ganharem mais. Ia buscar receita ao IMI e ao IRC, ao imposto sobre sucessões, por exemplo. Portanto, impostos que não atingem muito a classe média e baixa”, atira o professor.

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