Eduardo Teixeira, Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

Serviço público e transportes?

Este é o mesmo Governo que, não investindo, degradou os serviços públicos, com intuitos eleitorais do faz de conta que faz, resumindo-se os investimentos avultados à comunicação.

Lançado com pompa, no período da campanha legislativa de 2019, o Programa de Apoio à Redução Tarifária tinha como objetivo permitir a redução do preço dos passes sociais nos transportes públicos e a diminuição do número de carros nas áreas urbanas, e não só nas grandes cidades.

O mesmo PS apresentava um plano de investimentos ferroviários que previa um pacote financeiro de dois mil milhões de euros para melhoramentos da rede nacional, apoiado por fundos estruturais europeus. Porém, no pós-eleições tudo se alterou, sendo anunciada a intenção de suspender ou adiar várias obras de renovação da ferrovia consideradas prioritárias no âmbito do programa da Ferrovia 2020.

E eis que, à boa maneira socialista de anunciar, adiar e voltar a adiar e anunciar, se constata que os apoios do Estado se limitaram a manter as empresas de serviço público e a assistir à degradação do serviço. Volta e meia, regressam ao tema e anunciam medidas recauchutadas, mas as verbas gastas na TAP há muito consomem qualquer orçamento que se faça.

O caminho dos últimos anos foi o de aumentar os impostos, os cortes no investimento e na área social e recorrer a mais dívida pública. As reformas que deveriam ter sido realizadas para garantir sustentabilidade em setores essenciais para a sociedade não foram feitas em nome das cativações e do deficit. Como resultado, os transportes que se mantêm em funcionamento não respondem às necessidades e, Lisboa à parte, não servem o País nem reduzem as assimetrias.

A este Governo exigia-se não uma reação mas uma atuação proativa, pois as pessoas continuam a viajar em autocarros, comboios ou metros cheios, não estando previsto qualquer reforço, pela simples razão de não existir essa possibilidade. No resto do País a situação é ainda mais drástica, pois as alternativas são praticamente inexistentes.

Este é o mesmo Governo que, não investindo, degradou os nossos serviços públicos, com intuitos eleitorais do faz de conta que faz, resumindo-se os investimentos avultados à comunicação. E a discrepância entre Lisboa e o Porto face ao resto do país é gritante, injusta e não equitativa.

É, pois, urgente combater a desertificação dos territórios de baixa densidade, onde não existe qualquer ligação terrestre, ferroviária ou fluvial. Nestes territórios, as pessoas não pagarão também os seus impostos? Não terão elas direito a serviços mínimos ou a investimento público na mobilidade?

Nunca como agora foi tão necessário trilhar o caminho certo do crescimento económico e do investimento público que o país precisa e merece. O risco da degradação e da perda de oportunidades que os apoios europeus oferecem é enorme. Não podemos facilitar nem adiar mais problemas. Este é o tempo e urge agir.

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