Inês de Sousa Real, Deputada e porta-voz do PAN - Partido Pessoas-Animais-Natureza

Machismo não dá tréguas

Em pleno século XXI, continuamos a viver numa sociedade que alimenta a desigualdade de condições laborais e salariais, mesmo quando as mulheres desempenham os mesmos cargos que os homens e são mais qualificadas.

Desde o início do ano já morreram oito mulheres vítimas de violência doméstica e, apesar de na maioria destes casos, as vítimas já terem apresentado queixa anteriormente, não conseguiram escapar aos seus agressores.

Ano após ano, em Portugal, milhares de vítimas, sobretudo mulheres, não encontram no lar um espaço seguro. O flagelo da violência doméstica continua a ser um dos crimes mais participados no nosso país e a ter um rosto marcadamente feminino, alimentado pela desigualdade crónica que tem prevalecido na sociedade portuguesa. Não olhar para estes crimes como aquilo que são verdadeiramente não ajuda a combater de forma estrutural as suas causas, que sendo multifatoriais, não deixam de ter um lugar-comum: o patriarcado!

Apesar do caminho até aqui feito e de uma aparente igualdade social, a verdade é que de acordo com relatório recente da ONU, quase nove em cada dez pessoas têm algum tipo de preconceito contra as mulheres e uma em cada quatro aceita o facto de um homem bater na mulher. Metade da população mundial acredita que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres e 40% acreditam que são melhores líderes no setor empresarial.

Em pleno século XXI, continuamos a viver numa sociedade que tolera a violência contra mulheres, que sistematicamente as empurra para a esfera da vida privada e para o papel de cuidadoras ou onde se alimenta a desigualdade de condições laborais e salariais mesmo quando desempenham os mesmos cargos que os homens e são mais qualificadas.

Quando é unânime entre os decisores e agentes da sociedade civil que urge combater a violência doméstica, e ainda assim assistimos todos os anos ao aumento do número de casos, a meras penas suspensas ou a quem ao invés de aplicar a justiça acha que se combate este fenómeno sujeitando a vítima a jantar com o agressor, estamos a falhar enquanto sociedade.

Precisamos de mais prevenção e visibilidade e, por conseguinte, de mais escrutínio quanto à execução da Estratégia Nacional para a Igualdade e Não Discriminação. Precisamos de medir a execução em todas as áreas de intervenção.

Por muito que saibamos que o fosso da desigualdade poderá levar mais de 132 anos a ser superado, e como tal que podemos não chegar lá no nosso tempo, temos o dever de garantir que as meninas e mulheres das próximas gerações estarão mais perto de ter o mesmo ponto de partida que os homens e uma vida livre de violência. Pois se é certo que a igualdade não maltrata ninguém, já o machismo não dá tréguas às mulheres, todos os dias.

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