Os projetos de exploração de gás natural na província moçambicana de Cabo Delgado podem ser retomados, dada a melhoria de segurança na região, garantiu esta quarta-feira o presidente do país, Filipe Nyusi.
O chefe de Estado moçambicano aproveitou uma conferência em Maputo esta quarta-feira sobre o sector energético para reforçar a ideia de que os projetos para a extração de gás natural podem ser retomados depois da interrupção em abril de 2021, na sequência de pesados confrontos armados com rebeldes ligados a organizações terroristas islamistas.
Com os preços desta matéria-prima ainda em alta nos mercados internacionais e a estratégia de maior aposta no gás natural liquefeito como substituto do petróleo, Moçambique deve aproveitar a oportunidade para se estabelecer como um exportador relevante no plano internacional, projetou Nyusi.
Como tal, o presidente exortou a TotalEnergies, comparticipação no projeto, a retomar as suas operações “a qualquer altura”.
A multinacional francesa já veio ressalvar que “a decisão de retomar é da responsabilidade da Mozambique LNG”, a detentora desta exploração, já que a Total possui apenas 26,5% do consórcio. Para avançar com o projeto, os franceses pedem consenso, avisando que a sua posição se mantém.
“Será apropriado tomar o tempo necessário para ter as garantias necessárias antes de considerar um possível recomeço”, lê-se no comunicado da petrolífera.
Recorde-se que Cabo Delgado, no nordeste de Moçambique, tem sido desde 2017 palco de violentos confrontos entre militantes afiliados ao ISIS regional e as forças de segurança do país, bem como milícias apoiadas pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). A ONU fala em mais de um milhão de refugiados, com organizações não-governamentais a apontarem a mais de 4 mil mortos.