O próximo mês de novembro marca o início de uma iniciativa que poderá colocar Lisboa definitivamente no centro do mundo das novas tecnologias e das empresas mais competitivas.
Paddy Cosgrave, presidente da Web Summit, disse que a razão principal da escolha de Lisboa se prendia com o facto de ser “uma cidade mágica e com história”. Esta imagem verdadeira mas um pouco romântica traz consigo um mundo de oportunidades de mostrar ao mundo um novo Portugal. Da gastronomia ao sol, da simpatia à segurança, do calçado aos têxteis poderemos agora afirmar-nos como um país de fantástico potencial no setor das novas tecnologias.
Bem andaram Paulo Portas e Leonardo Mathias quando conseguiram trazer este evento de enorme sucesso e repeti-lo nos próximos anos em Portugal. Bem andaram os financiadores do projeto – Turismo de Lisboa, Turismo de Portugal e AICEP –, que conseguirão obter retornos muito superiores ao investimento. Bem andaram a Câmara Municipal de Lisboa e o Ministério da Economia na criação das condições necessárias para o êxito desta grande operação. Mas não tenhamos ilusões. Atrair talento e captar investimento para o ecossistema nacional não se faz apenas com bom clima e boas maneiras. É preciso muito mais.
Um estudo recentemente publicado pela APDC sugere algumas iniciativas que ajudariam ao sucesso da promoção de investimento de risco que consiga fixar talento nacional e atrair criativos e ‘startups’ estrangeiras. A diminuição da burocracia, a redução dos descontos para a segurança social, a criação de um regime jurídico que agilize a contratação de estrangeiros ou a aprovação de um regime de “taxa zero” para a inovação, que permita a dispensa de pagamento de taxas a empresas criadas por jovens, são alguns dos exemplos do que ainda está por fazer.
Mas o “ecossistema Web Summit” não fará esquecer o ambiente económico que se vive atualmente em Portugal, nem apagará as notícias que diariamente vão surgindo na imprensa internacional sobre a frágil situação do País.
Num período em que estaremos a discutir o Orçamento do Estado para 2017, e em que as forças da esquerda radical gritam bem alto exigências de imediato aumento das pensões e outras prestações sociais, de ordenados na função pública, do ordenado mínimo nacional, de nova tributação do património imobiliário e mobiliário, de reversão da anterior política de redução progressiva do IRC, de medidas de aumento da despesa, como seja o alargamento da escola e da saúde públicas, o Partido Socialista terá que dizer claramente de que lado da equação quer estar. Do lado da demagogia que nos asfixia, nos isola e nos condena, ou da realidade de um País que ainda não consegue viver sozinho.
A realização da Web Summit é uma oportunidade extraordinária e irrepetível. Assim os responsáveis consigam esconder ou calar por uns dias as Mortáguas que apenas parecem querer assustar quem ainda acredita em Portugal.