As metas da União Europeia para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) dos veículos, incluindo uma redução de 100% para os carros até 2035, não são viáveis nesta fase, disseram os líderes das associações europeias de fabricantes e fornecedores de automóveis esta quarta-feira. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve receber executivos do setor na segunda semana de setembro para discutir o futuro da indústria, que enfrenta a dupla ameaça da concorrência chinesa em veículos elétricos e das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Em carta enviada a von der Leyen, a Mercedes-Benz, a Powertrain e a Schaeffler AG afirmam estar empenhados em alcançar o objetivo de emissões líquidas nulas da UE em 2050 – mas 2035 parece ser uma data demasiado próxima, que obrigaria a enormes investimentos para os quais não há neste momento disponibilidade. A dependência quase total da Ásia no que tem a ver com baterias para automóveis elétricos, bem como as tecnologias de carregamento, e mais recentemente as tarifas dos EUA, colocaram a indústria europeia sob pressão.
A proposta anterior era uma reduções de 55% nas emissões de CO2 em relação aos níveis de 2021 até 2030 e de 100% até 2035. “Cumprir as rígidas metas de CO2 para 2030 e 2035 é, no mundo de hoje, simplesmente inviável”, diz a carta. Mandatos legais e penalidades não impulsionariam a transição, escreveram. “Os veículos elétricos (EVs) liderarão o ataque, mas também deve haver espaço para híbridos (plug-in), veículos com motor de combustão interna altamente eficientes, hidrogénio e combustíveis descarbonizados”, dizia ainda.
Em março, a Comissão concordou em dar aos fabricantes tempo extra para cumprir as metas de redução de emissões de CO2 inicialmente estabelecidas para 2025. Entretanto, a aposta da administração Trump é a do regresso aos motores de combustão e ao aumento da exposição do setor automóvel ao consumo de combustíveis líquidos. Ao mesmo tempo, a administração Trump preparou um ‘assalto’ às energias renováveis. O tempo é, por isso, de deixar de lado as questões ambientais e imprimir novo desempenho na eficiência das receitas (e já não do meio ambiente).
Do lado chinês, a concorrência nos automóveis elétricos é para já impossível de alcançar, tanto em termos do preço final dos veículos, como das tecnologias (nomeadamente de carregamento de baterias) usadas no fabrico de automóveis. A única hipótese, infere-se da carta enviada à presidente da Comissão, é o setor europeu ter menos obrigações – e por isso menores necessidades de investimento – na frente ecológica.
Não são só os automóveis e os componentes a queixarem-se dos excessos das leis europeias da sustentabilidade. O setor têxtil também tem tentado demonstrar que as metas de sustentabilidade são demasiado rígidas e colocam o setor europeu em situação de inferioridade concorrencial com a China.
A associação europeia do setor, a Euratex, tem vindo a alertar a União Europeia para o facto de os produtos chineses continuarem a entrar na União sem terem de passar pelo mesmo apertado crivo das leis ambientais – o que lhes dá uma vantagem competitiva impossível de alcançar pela indústria do bloco dos 27.