Nos dias 24 de janeiro, 14 de fevereiro e 31 de outubro de 2018, registaram-se os maiores congestionamentos médios em Braga, Porto e Lisboa, respetivamente. Estas três cidades partilham entre si, tal como muitas outras, os congestionamentos de tráfego diários que têm impacto significativo na economia, na qualidade de vida de cada um de nós e, absolutamente dramático, no ambiente.
A distinguir estas cidades está o dia em que os congestionamentos foram mais intensos, o que depende do perfil da cidade, dos acontecimentos impactantes, das rotinas e de tudo o que faz com que cada perfil de mobilidade seja característico de cada cidade. É na capacidade de entender este perfil e de dar respostas adequadas a nível de oferta de transporte público e demais serviços de mobilidade que reside a solução para a gestão da mobilidade urbana.
Uma ferramenta capaz de responder a este desafio é a plataforma de intermodalidade. Esta solução permite a integração de dados de vários meios de transporte e a criação de trajetos mais adequados – sejam mais rápidos, mais baratos ou até mais confortáveis – consoante a necessidade momentânea, o perfil do utilizador e a política (“policy”) de cada cidade.
A partir da agregação e análise dos dados obtidos, o gestor/operador consegue criar o perfil de mobilidade da cidade e adequar a oferta de transporte público, fazendo deste uma alternativa de maior qualidade quando comparada com o transporte particular.
São já várias as cidades que implementaram uma plataforma de intermodalidade e que recolhem hoje estes dados. A título de exemplo temos a aplicação “DB Navigator”, da Deutsche Bahn (operador ferroviário nacional alemão), que conta já com 30 milhões de utilizadores e responde a mais de quatro milhões de pedidos diários de viagens, dando apoio à mobilidade ferroviária com 21 organizações de transporte público regionais.
Outro exemplo, vindo do Dubai, é a app “DIMP” (Dubai Integrated Mobility Platform) que reuniu, com sucesso, ofertas de transporte tão diversas como o metro, os autocarros e trams urbanos, os modos marítimos, o car-sharing, os táxis, as limusinas, a Uber e a Careem, dando apoio ao ecossistema local com um total de 530 milhões de passageiros por ano.
Portugal, reconhecido como país inovador em termos de tecnologias de mobilidade, tem ótimas condições para instalar plataformas idênticas nas suas cidades. Dispõe da dimensão para extrapolar os dados requeridos, de players com tecnologias inovadoras e da engenharia e know-how que permitiriam estudar e implementar as soluções de transporte público necessárias.
No entanto, mais do que tudo isto, Portugal sente já hoje os desafios decorrentes da desarticulação de uma oferta, felizmente, crescente mas que, só devidamente orquestrada, poderá contribuir decisivamente para a melhoria efetiva da mobilidade dos seus cidadãos.
Esta seria, sem dúvida, mais uma aposta inovadora que poderíamos exportar, como early adopters, para o resto do mundo, tirando daí as inúmeras vantagens.