Apesar do cessar-fogo de 36 horas anunciado pela Rússia, com início marcado para ontem, sexta-feira, de modo a englobar as comemorações do Natal Ortodoxo, os dois países trocaram fogo de artilharia durante esta madrugada e a manhã deste sábado.
Em Bakhmut, o combate voltou a intensificar-se. A cidade, completamente devastada pela guerra, tornou-se no principal foco da linha da frente, com os russos a fazerem todos os possíveis para tomar um importante ponto na região de Donetsk.
Mas as forças russas poderão ser reforçadas nos próximos meses. Na sexta-feira, os serviços secretos ucranianos afirmaram que o Kremlin estará a preparar uma nova ronda de mobilização de civis, com Kyiv a acreditar que a Rússia deverá recrutar cerca de 500 mil pessoas, além das 300 mil que fizeram parte da ‘mobilização militar parcial’ de setembro.
Numa atualização publicada esta manhã, o Estado-Maior-General das Forças Armadas ucraniano afirmou que foram repelidos quase 14 ataques durante a madrugada, nas regiões contestadas de Lugansk e Donetsk. As forças ucranianas também referiram um incêndio na zona de Zaporíjia, onde está localizada a central nuclear e, em Bakhmut, os ataques russos foram sentidos em 20 aldeamentos.
A Ucrânia acrescenta ainda que as forças russas estão a impor uma “pressão psicológica e física sobre os civis de territórios ocupados ou temporariamente ocupados”, de modo a recrutá-los para o lado russo. Em Zaporíjia, os ucranianos dizem que os invasores pressionaram cerca de 3.000 funcionários da central nuclear e ameaçaram empresários para que obtivessem passaportes russos.
As Forças Armadas ucranianas dizem que a campanha de recrutamento está a ganhar contornos ainda mais severos, com as autoridades russas a “visitarem apartamentos e casas” em Belgorod, região russa que faz fronteira com o norte da Ucrânia, de modo a “falar sobre a popularização do serviço militar”.