Trump revela pacote de cinco mil milhões para Gaza no Conselho de Paz

O primeiro encontro da organização acontece esta quinta-feira em Washington. O grupo do Parlamento Europeu dos socialistas e democratas (S&D) quer saber qual é o propósito da presença da Comissão Europeia no encontro. Entretanto, há uma proposta de paz com... extra-terrestres.

Trump revela pacote de cinco mil milhões para Gaza no Conselho de Paz
Donald Trump – Davos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que seu recém-formado Conselho de Paz apresentará um pacote humanitário e de reconstrução para a Faixa de Gaza da ordem dos cinco mil milhões de dólares, ao mesmo tempo que revelará outros compromissos da organização. Trump deu a conhecer o projeto na última reunião do Fórum de Davos, realizado na terceira semana de janeiro, para o qual convidou dezenas de países – mas as adesões deram-se de forma renitente, uma vez que, segundo muitos analistas, o plano do presidente dos Estados Unidos é o de esvaziar de sentido e de flexibilidade as próprias Nações Unidas. A reunião inaugural em Washington, marcada para esta quinta-feira, tem também uma lista de presenças que enforma da mesma renitência, não sendo totalmente conhecida. Ao certo, sabe-se que o Vaticano – convidado na pessoa do Papa Leão XIV, não estará presente. Entre os países europeus, a Itália estará presente, mas apenas com o estatuto de observadora. A União Europeia tenciona enviar a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica – e não a dirigente da diplomacia comum, o que parece ser sintomático.

“Em 19 de fevereiro de 2026, estarei novamente acompanhado por membros do Conselho de Paz no Instituto Donald J. Trump para a Paz, em Washington, onde anunciaremos que os Estados-membros prometeram mais de cinco mil milhões de dólares para os esforços humanitários e de reconstrução em Gaza e designaram milhares de pessoas para a Força Internacional de Estabilização e a Polícia Local para manter a segurança e a paz para os habitantes de Gaza”, escreveu Trump nas redes sociais. “O Conselho da Paz provará ser o órgão internacional mais importante da história, e é uma honra para mim servir como seu presidente”, escreveu ainda. Refira-se que o local do encontro era até agora conhecidos como Instituto da Paz dos EUA, mas Trump decidiu acrescentar o seu próprio nome à designação oficial.

Ainda no que tem a ver com a União Europeia, refira-se que o Grupo dos Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu apelou à Comissão Europeia para que explique claramente o mandato político e o âmbito da sua participação na primeira reunião do Conselho da Paz.

“A iniciativa, lançada por Donald Trump no mês passado, vai contra as regras internacionais estabelecidas e os processos liderados pela ONU. A Alta Representante, Kaja Kallas, advertiu que o Conselho da Paz corre o risco de se tornar um fórum unilateral que exclui os palestinianos e ignora os acordos internacionais, incluindo as resoluções da ONU que orientam o processo de paz. Qualquer envolvimento da UE num formato deste tipo prejudicaria, por conseguinte, o compromisso da Europa para com o multilateralismo e o direito internacional e contrariaria as preocupações corretamente manifestadas pelo Parlamento Europeu, pelos Estados-membros e pelos membros da Comissão”, escreve o grupo em comunicado transcrito no seu site oficial, assinado pelo vice-presidente do S&D para os Negócios Estrangeiros, o grego Yannis Maniatis.

“A Comissão Europeia tem de explicar claramente a sua posição sobre o chamado “Conselho da Paz”, uma vez que, para o grupo, há sérias preocupações quanto à falta de transparência, ao mandato pouco claro e aos riscos de participar em iniciativas fora do quadro das Nações Unidas. “As próprias declarações da Comissão são contraditórias. Por conseguinte, exortamos a instituição a informar urgentemente o Parlamento Europeu sobre a sua participação na reunião. Isto levanta questões reais sobre o objetivo e a autorização deste compromisso, numa altura em que a UE deveria defender univocamente o direito internacional e o multilateralismo. Precisamos de saber quem autorizou esta participação, porquê, e como é que a UE vai garantir a responsabilidade perante os palestinianos e o respeito pelas Nações Unidas”. “A UE deve continuar plenamente empenhada num processo de paz genuíno e inclusivo, baseado no direito internacional e nas Nações Unidas. Qualquer desvio corre o risco de criar um precedente prejudicial para a política externa da UE.”

O grupo chama a atenção para o facto de o chamado Conselho da Paz ser não fazer parte de nenhum quadro internacional reconhecido e não ter uma responsabilidade clara perante as partes envolvidas ou as Nações Unidas. “Corre o risco de contornar o quadro das Nações Unidas e de concentrar o controlo político numa estrutura única e unilateral. Qualquer abordagem ‘pay-to-play’ ligada à participação é igualmente inaceitável, uma vez que suscita sérias preocupações quanto à equidade, à integridade e à politização dos esforços de paz para obter ganhos financeiros ou políticos”. A abordagem ‘pay-to-play’ faz parte da proposta de Trump, segundo a qual os países que quiserem participar terem de pagar uma espécie de quota anual para manterem o seu lugar na organização.

Para já, a ideia é que tudo cabe no Conselho de Paz: uma coligação internacional de cientistas e organizações da sociedade civil apresentou formalmente uma proposta “inovadora” – segundo comunicado sobre o assunto – ao Conselho: defende “a criação de uma Embaixada da Paz para Relações Extraterrestres em Gaza. A proposta integra uma visão de longo prazo para a reconstrução regional e para uma paz sustentável”. “Esta é uma oportunidade para demonstrar ao mundo que a humanidade está preparada para enfrentar tanto os conflitos presentes como os desconhecidos do futuro com sabedoria, contenção e unidade”, conclui o comunicado.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.