As dificuldades que os efeitos da pandemia criaram à sociedade portuguesa, nomeadamente no que se refere ao emprego, à retribuição salarial e precaridade laboral, obrigaram a uma adaptação rápida a uma realidade otimizada. Muitos negócios foram reinventados e outros surgiram, criando inovação e valor em nichos que até agora pouco ou nada eram utilizados.
As medidas que levaram a fortes limitações do contacto direto das pessoas com as instituições, fizeram disparar por reação, muitos negócios no digital. Na verdade, a resposta dos Portugueses foi rápida: Na corrente década, os registos online dispararam 67%, pela necessidade apenas de se estar presente no meio digital.
Se antes da pandemia, muitas empresas ponderavam o melhor momento de dar o passo para o digital, esta empurrou-as definitivamente para este universo, acelerando todo o processo. Nunca houve tantas empresas portuguesas na internet, porque a maioria entendeu que esta seria a única forma de manter atividade para divulgar os seus produtos. Até o Estado, à boleia dos fundos para a transição digital, tem estruturado os nossos serviços públicos, para esta realidade.
As vendas e serviços na internet dispararam abruptamente por esta nova realidade e a aposta faz disparar o nacional, para um crescimento do domínio PT para os 150.525 em 2022, tendo crescido mais 10% (mais 13.600) face a 2021.
Muitos destes negócios online, são novos e ainda pequenos, mas revelam ser inovadores e atuam em nichos de mercado que potenciam riqueza nacional. São mais de metade das novas empresas e pertencem sobretudo à restauração, à área dos serviços domésticos, de vendas de serviços e comércio digital, mas também a áreas essenciais como a saúde, higiene e terapias ocupacionais. Só em 2022, foram novos 50.249 domínios via “Empresa na Hora”, mais 10.934 do que em 2021.
Não foi só por necessidade, que disparou este fenómeno digital, mas também pelo custo, rapidez, burocracia, facilidade e pelo conseguir ter uma porta aberta para o mundo. Na verdade, os portugueses descobriram o que já sabiam, mas não praticavam, o ser possível fazer (quase) tudo num teclado, sem sair de casa, e esta nova tendência transversal às gerações, está sem dúvida para ficar.
E esta aceleração digital terá sido e será benéfica? O tempo o dirá, mas para já a adaptação de várias gerações seu uso e o quebrar do tabu que a net se resume à diversão e não ao negócio e rendimento é demasiado positivo para ser subestimado.