Transavia descola da pandemia, mas há nuvens sobre Amesterdão

A companhia ‘low cost’ do grupo Air France - KLM está focada no mercado nacional. Afinal, Portugal é o maior mercado para a operação francesa da empresa, sendo o segundo maior para o negócio a partir dos Países Baixos. A Transavia está a enfrentar o Governo neerlandês em tribunal e em Bruxelas, depois de ter decidido cortar 10 ‘slots’ no aeroporto de Amesterdão, afetando voos para Portugal. Empresa pede também uma decisão sobre novo aeroporto de Lisboa.

Transavia descola da pandemia, mas há nuvens sobre Amesterdão
transavia-descola-da-pandemia

Quem diria que uma união entre empresas vindas de uma feroz república e uma austera monarquia daria bons resultados? A companhia low cost do grupo franco-neerlandês Air France-KLM tem em Portugal um dos seus maiores mercados. Overão deste ano trouxe bons sinais: as taxas de ocupação regressaram a níveis pré-pandemia, acima dos 90%. Na operação entre Portugal/França, o número de passageiros disparou 19%; na operação Portugal/Países Baixos, subiu 16%. Com estes dados na mão, a transportadora acredita num crescimento de 10% nas rotas portuguesas para a totalidade do ano.

Mas há nuvens no horizonte: o Governo neerlandês ordenou um corte de 10%nos slots do quarto maior aeroporto da Europa, Amesterdão-Schiphol, com o objetivo de reduzir o barulho. Conforme explica o CEO da Transavia, Marcel de Nooijer, em entrevista ao Jornal Económico, a decisão tem impacto na operação da Transavia e nos seus voos para Portugal. A empresa luta agora nos tribunais e junto da Comissão Europeia para tentar reverter a situação. Sobre o novo aeroporto de Lisboa, o gestor pede uma decisão às autoridades nacionais e que sejam cumpridas certas condições. Quanto à privatização da TAP, o responsável neerlandês vê com bons olhos os movimentos de consolidação no sector europeu da aviação, acreditando que irá aumentar a rentabilidade da indústria.

Como é que correu este verão para a Transavia?
Foi um verao interessante. No todo, podemos olhar para um verão relativamente bom. Mostrámos de novo uma boa performance no que toca a trazer passageiros para Portugal. Para a Transavia Holanda é o segundo maior mercado, para a Transavia França é o primeiro. Se compararmos com a situação antes da Covid, trazemos agora mais passageiros do que em 2019. Foi um bom verão, mas começou de forma um pouco turbulenta para a Transavia Holanda, devido à entrega mais tardia de cinco aviões, em regime de lease, que deviam operar a partir de 1 de abril, mas a entrega final teve lugar a 1 de julho. No início tivemos alguns desafios operacionais, mas conseguimos mitigar o problema com o leasing. Infelizmente, houve alguns cancelamentos, mas vimos que a procura foi forte, a confiança dos passageiros foi restaurada, e tivemos um bom julho, agosto e também setembro.

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor

Relacionado

Irão: Transavia cancela 50 voos e admite novos ajustamentos devido ao preço do ‘jet fuel’

Irão: Transavia cancela 50 voos e admite novos ajustamentos devido ao preço do ‘jet fuel’

“Cancelámos alguns voos até agora, cerca de 50 para maio e junho, mas é um processo dinâmico, temos de nos adaptar no dia a dia. Não é algo fácil de fazer, mas temos de enfrentar a realidade do aumento do preço dos combustíveis”, afirmou o novo diretor geral adjunto comercial (‘chief commercial officer’ – CCO) da Transavia França, Julien Mallard, em conferência de imprensa no Porto.