Quem diria que uma união entre empresas vindas de uma feroz república e uma austera monarquia daria bons resultados? A companhia low cost do grupo franco-neerlandês Air France-KLM tem em Portugal um dos seus maiores mercados. Overão deste ano trouxe bons sinais: as taxas de ocupação regressaram a níveis pré-pandemia, acima dos 90%. Na operação entre Portugal/França, o número de passageiros disparou 19%; na operação Portugal/Países Baixos, subiu 16%. Com estes dados na mão, a transportadora acredita num crescimento de 10% nas rotas portuguesas para a totalidade do ano.
Mas há nuvens no horizonte: o Governo neerlandês ordenou um corte de 10%nos slots do quarto maior aeroporto da Europa, Amesterdão-Schiphol, com o objetivo de reduzir o barulho. Conforme explica o CEO da Transavia, Marcel de Nooijer, em entrevista ao Jornal Económico, a decisão tem impacto na operação da Transavia e nos seus voos para Portugal. A empresa luta agora nos tribunais e junto da Comissão Europeia para tentar reverter a situação. Sobre o novo aeroporto de Lisboa, o gestor pede uma decisão às autoridades nacionais e que sejam cumpridas certas condições. Quanto à privatização da TAP, o responsável neerlandês vê com bons olhos os movimentos de consolidação no sector europeu da aviação, acreditando que irá aumentar a rentabilidade da indústria.
Como é que correu este verão para a Transavia?
Foi um verao interessante. No todo, podemos olhar para um verão relativamente bom. Mostrámos de novo uma boa performance no que toca a trazer passageiros para Portugal. Para a Transavia Holanda é o segundo maior mercado, para a Transavia França é o primeiro. Se compararmos com a situação antes da Covid, trazemos agora mais passageiros do que em 2019. Foi um bom verão, mas começou de forma um pouco turbulenta para a Transavia Holanda, devido à entrega mais tardia de cinco aviões, em regime de lease, que deviam operar a partir de 1 de abril, mas a entrega final teve lugar a 1 de julho. No início tivemos alguns desafios operacionais, mas conseguimos mitigar o problema com o leasing. Infelizmente, houve alguns cancelamentos, mas vimos que a procura foi forte, a confiança dos passageiros foi restaurada, e tivemos um bom julho, agosto e também setembro.
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