Trabalhadores a ganhar mais de três mil euros duplicaram em dois anos em Portugal

Trabalhadores a ganhar três mil euros líquidos por mês são quase 100 mil: a maior cifra de sempre neste patamar salarial em Portugal, revela a Randstad. No entanto, este universo representa apenas 2% dos funcionários

Trabalhadores a ganhar mais de três mil euros duplicaram em dois anos em Portugal
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Uma análise da Randstad Portugal ao inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE) revela que o número de profissionais a ganhar mais de três mil euros mensais líquidos duplicou nos últimos dois anos, passando de 51.800 para 98.300 pessoas, o que representa a maior cifra de sempre neste patamar salarial em Portugal.

“Apesar disso, estes profissionais continuam a representar apenas 2% da população empregada por conta de outrem (PCO), o que revela que este crescimento, embora expressivo, está concentrado numa minoria de trabalhadores”, salienta a análise da empresa que opera na área dos recursos humanos.

A análise da Randstad alerta que apesar do “crescimento contínuo” do mercado de trabalho em Portugal, com a taxa de desemprego a recuar para 5,9%, o valor mais baixo desde 2023, verifica-se um “aumento das desigualdades salariais”.

A Randstad acrescenta que enquanto as categorias de “Executivos e diretores” recebem em média 63% acima da média nacional, outras como os “Trabalhadores não qualificados” e os “Agricultores” ficam “significativamente abaixo” da média, com remunerações 37% e 27% inferiores.

“No segundo trimestre de 2025, a remuneração líquida média em Portugal atingiu os 1.264 euros, (+1,1% face ao período homólogo)”, salienta a Randstad, apoiando-se nos dados do INE.

“As Forças Armadas lideraram os aumentos salariais trimestrais (+13,2%) e homólogos (+18,9%). Em contrapartida, categorias como os “Trabalhadores dos serviços pessoais e vendedores” e os “Trabalhadores da indústria e construção” observaram uma ligeira contração de 0,6%. Nos últimos dez anos, as profissões que mais aumentaram os seus rendimentos foram as Forças Armadas (+71,6%), os Operadores de instalações e máquinas (+67,9%) e os Trabalhadores não qualificados (+66,6%)”, acrescenta a empresa especializada na área dos recursos humanos

“Estamos a assistir a um claro crescimento da massa salarial nas faixas superiores, o que indica um aumento da competitividade e atratividade de alguns setores. No entanto, este progresso não está a ser acompanhado de forma homogénea e muitas profissões continuam a registar remunerações estagnadas ou abaixo da média nacional, o que continua a representar um desafio para o mercado de trabalho e para as condições de vida destes trabalhadores”, disse a diretora de marketing da Randstad Portugal, Isabel Roseiro, sobre os mais recentes dados do INE sobre o mercado de trabalho português.

A análise da Randstad faz ainda referência ao novo máximo histórico atingido ao nível do total de pessoas empregadas (5.248.300 profissionais).

“A taxa de desemprego caiu abaixo dos 6% (para 5,9%, a menor taxa nos últimos dois anos), refletindo uma redução trimestral de 36.300 pessoas desempregadas (-9,9%). O maior contributo para a criação de emprego deu-se nos setores dos serviços, nomeadamente alojamento e restauração (+6,7%) e logística (+6,9%). Por faixa etária, o maior aumento verificou-se entre os profissionais dos 25 aos 34 anos, com mais 18.000 pessoas empregadas neste grupo, e na faixa etária dos 65 aos 89 anos, que teve um aumento de 16.800 pessoas (+7,5%)”, sublinha a empresa de recursos humanos.

A Randstad assinala também o aumento do teletrabalho, no segundo trimestre, para os 12.800 profissionais, o que já representa 20,9% do total de empregados do país. “É na grande Lisboa que se encontra o maior recurso ao trabalho remoto (32,7%). Por oposição, a região dos Açores detém a menor percentagem de profissionais com recurso a teletrabalho com apenas 9,1%”, reforça a empresa especializada em recursos humanos.

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