Tensões geopolíticas ameaçam inflacionar custos do novo aeroporto de Lisboa

Novo aeroporto entra em operação em 2037 e tem um custo entre 8 a 9 mil milhões. Mas a gestora aeroportuária avisa que os custos de construção podem aumentar nos próximos anos com as incertezas geopolíticas,ppressões nas cadeias de abastecimento e volatilidade dos mercados.

Tensões geopolíticas ameaçam inflacionar custos do novo aeroporto de Lisboa
novo aeroporto de lisboa – Luís de Camões – NAL

As tensões geopolíticas ameaçam inflacionar os custos do novo aeroporto de Lisboa (NAL). O aviso é deixado pela ANA – Aeroportos de Portugal no seu relatório técnico sobre o projeto.

Com um custo estimado entre os 7,9 mil milhões e os 8,9 mil milhões de euros, a empresa que vai construir e gerir a infraestrutura alerta que os custos de construção poderão aumentar nos próximos anos.

“Importa ainda referir que a inflação dos custos de construção poderá continuar a aumentar nos próximos anos, impulsionada pelas atuais incertezas geopolíticas, pelas pressões nas cadeias de abastecimento e pela volatilidade dos mercados, fatores que poderão ter impacto adicional nos custos globais do projeto”, segundo a companhia detida pelos franceses da Vinci.

O ano de 2037 é a data prevista pela ANA no relatório técnico para a entrada em operação da nova infraestrutura.

Custos – entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros

Esta é a estimativa apresentada pela ANA, a preços do final do quatro trimestre. O valor de 8,9 mil milhões é a estimativa de referência desenvolvida pela AECOM, “consultora técnica e líder mundial nas áreas da engenharia e consultoria de infraestruturas”, segundo a ANA.

No caso do valor de 7,9 mil milhões, a ANA diz que este corresponde a uma “redução ambiciosa, mas realista do orçamento” em 10% (e inferior aos 8,5 mil milhões apresentados no relatório inicial), “refletindo o esforço contínuo para identificar soluções mais eficientes e propostas de Value Engineering, sem comprometer os objetivos funcionais do novo aeroporto”.

A concessionária diz que as estimativas incluem os custos de engenharia, contratação e construção, “bem como os riscos e contingências identificados nesta fase”. Contudo, a “estimativa apresentada não contempla, entre outros, compensações ambientais ou medidas de mitigação que venham a resultar do processo de licenciamento e que já não estejam integradas no âmbito do projeto, nem os impactos decorrentes de sujeições arquitetónicas adicionais, e/ou de elevada complexidade material”.

Entrada em operação – 2037

O ano de 2037 é a data prevista pela ANA no relatório técnico que estima que a assinatura dos acordos do NAL tem lugar em abril de 2029, mas que a data pode ser antecipada se o Estado concedente assim o entender. Neste cenário, as obras arrancam em meados de 2030 para estarem concluídas no final de 2036.

Entre 2035 e 2037, o “projeto entra numa fase de transição para operação, marcada pela integração dos sistemas, execução de testes, comissionamento e certificação das infraestruturas. Paralelamente, desenvolvem-se as atividades de preparação operacional no âmbito do ORAT (Operational Readiness and Airport Transfer). A ANA reforça que o ORAT apenas poderá iniciar no final de 2036, condicionado à disponibilização dos acessos e das redes de abastecimento permanentes bem como das instalações aeroportuárias mínimas de terceiros, indispensáveis à certificação do aeródromo pelo Regulador e entrada em operação do NAL, de forma a assegurar uma preparação operacional integrada e abrangente”.

E avisa que as operações aéreas no atual aeroporto têm de ser encerradas exatamente “no mesmo momento” de abertura do NAL, “considerando que os procedimentos de controlo aéreo não preveem a utilização simultânea do espaço aéreo e sendo impossível a duplicação dos recursos humanos, equipamentos e procedimentos. Este constitui um pressuposto consensual estruturante do projeto, assumido por toda a comunidade aeroportuária”.

Ferrovia – 26 minutos em alta velocidade

O relatório técnico adianta que o aeroporto terá um serviço ferroviário de alta velocidade, com uma duração de viagem de 26 minutos e uma frequência de duas em duas horas.

Além deste, está prevista uma ligação ferroviária convencional a partir de Entrecampos, a sair de 15 em 15 minutos, com um tempo de percurso de 45 minutos.

A ANA considera, todavia, que é necessário “avaliar a implementação de uma ligação ferroviária convencional direta, sem transbordo, entre Lisboa e o NAL”, dado estar a mais de 50 km do centro de Lisboa.

Já o Governo, na sua apresentação feita na quarta-feira, anunciou que seria possível ir do centro de Lisboa até ao novo aeroporto de Lisboa em 20 minutos usando o comboio, que vai ter um túnel exclusivo de 5km para chegar ao aeroporto.

Rodovia – 20 minutos

A ANA detalha que a Infraestruturas de Portugal informou que o NAL será servido por um serviço shuttle direto entre a estação do Oriente e o aeroporto, com tempo de percurso de cerca de 20 minutos, a sair de 30 em 30 minutos.

A ANA considera que é crucial ” aumentar a frequência do serviço shuttle” e defende a “importância crítica de garantir níveis de serviço de transportes públicos de primeira qualidade, em termos de conforto, frequência e acessibilidade tarifária, por forma a reforçar
a mobilidade sustentável, mantendo o seu envolvimento ativo nos trabalhos do Grupo de Trabalho das Acessibilidades para assegurar a concretização deste objetivo”.

Em termos de ligação rodoviária, está prevista a construção de um troço com 17 km para ligar o NAL à autoestrada A33, assim como a ligação às estradas nacionais e municipais nos lados sul, este e norte do perímetro aeroportuário: EN4, EN10, EN119 e EM533.

Alguns dos números do aeroporto Luís de Camões impressionam face ao aeroporto Humberto Delgado:

– 64 portas de embarque

– 76 pontes de embarque

– 56 milhões de passageiros iniciais

– 85 milhões de passageiros capacidade máxima

-120 posições de estacionamento para aviões

– duas pistas

Para ter uma ideia, os aeroportos nacionais atingiram 72 milhões de passageiros em 2025, com 36 milhões no aeroporto de Lisboa.

Depois da entrega do relatório técnico, segue-se a entrega do estudo de impacte ambiental até 31 de julho deste mês, o relatório financeiro no início de 2027, entre outras etapas.

Em termos de calendário, a desmilitarização do campo de tiro de Alcochete terá lugar até 2029.

Em relação à reestruturação do espaço aéreo para compatibilizar a operação do aeroporto, o estudo inicial já foi entregue.

A EGAPA, a estrutura pública que está a gerir o processo, já foi mandatada para o planeamento da integração territorial do aeroporto, incluindo as infraestruturas de apoio. A definição das acessibilidade rodo/ferroviárias ao aeroporto, está em execução. O lançamento da plataforma interativa do aeroporto terá lugar até ao final do ano.´

Para o secretário de Estado das Infraestruturas, este é um “projeto nacional transformador” que vai “permitir dar uma resposta às necessidades reais da aviação” na região da Grande Lisboa, segundo Hugo Espírito Santo.

“Serão 20 minutos de tempo de viagem do centro de Lisboa ao novo aeroporto de Lisboa”, anunciou na terça-feira o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo em discurso no evento em Lisboa para celebrar a entrega do relatório técnico pela ANA – Aeroportos de Portugal.

A abertura da linha de alta velocidade deverá ser em 2034, assim como a linha para o aeroporto Luís de Camões, segundo a previsão do executivo.

Por ano, 20 milhões de pessoas deverão chegar de comboio ao novo aeroporto.

A terceira travessia do Tejo vai ser crucial para isto, reduzindo em 30 minutos o tempo de ligação entre a capital e o Algarve e o Alentejo via ferroviária.

Em relação às acessibilidades rodoviárias, a previsão é que sejam construídas 250 km de novas estradas para servir o novo aeroporto.

“A ANA cumpre mais uma etapa dentro do prazo. Foi um esforço grande”, disse José Luis Arnaut, presidente do conselho de administração da ANA na quarta-feira. “É um testemunho de muito trabalho, silencioso, levado a cabo nos gabinetes”, afirmou.

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