Taxar fortunas a 2% renderia 200 milhões de euros a Portugal para investir na defesa

A necessidade europeia de investir em defesa está a reavivar propostas de uma sobretaxa sobre os multimilionários da UE, com estudos a apontar para um acréscimo de receita de 67 mil milhões de euros, uma ideia que está a ganhar tração em alguns países como França. Em Portugal, apenas uma família seria taxada.

Taxar fortunas a 2% renderia 200 milhões de euros a Portugal para investir na defesa
leitor_67c1b12393139_30__Defesa_Independencia_Europeia_copiar.jpg

A necessidade europeia de investir em defesa perante o desinteresse norte-americano tem levado a propostas inovadoras para financiar este investimento, incluindo de taxar bilionários, uma ideia recuperada recentemente. Segundo um estudo do Observatório Fiscal da UE do ano passado, uma taxa de 2% sobre estas fortunas permitiria angariar até 67 mil milhões de euros, um montante que chega a 200 milhões no caso português.

O relatório do Observatório, publicado a propósito do encontro dos G20 no ano passado, estima que um imposto de 2% sobre fortunas acima dos 100 milhões de euros resultaria num acréscimo de receita de 67 mil milhões de euros, um valor que poderia ser aplicado no financiamento da defesa que a UE coloca agora como prioritário. Por outro lado, com o bloco europeu a enfrentar perspetivas de crescimento anémicas e necessidades de investimento para as transições digital e climática, estes fundos ganham um potencial acrescido.

Baseando-se na lista de multimilionários publicada pela Forbes, o estudo estima que 537 multimilionários fossem visados, embora, no caso português, apenas uma família seja identificada. Para o Estado português, esta opção resultaria assim num encaixe de 200 milhões de euros.

Aumentar a taxa para 3%, uma das sugestões feitas pelo estudo, levaria a um aumento de receita de 300 milhões de euros, continua o estudo.

França seria o país da UE onde este imposto traria mais receita, sendo que o governo francês está a equacionar precisamente taxar os indivíduos mais ricos para financiar o aumento do investimento na defesa. Éric Lombard, atual ministro da Economia, Finanças e Indústria, admitiu isso mesmo recentemente.

“Aqueles com mais poupanças têm de contribuir com mais impostos”, afirmou na passada semana em entrevista à FranceInfo, falando contra “o que costumam chamar de otimização fiscal”. A câmara baixa do parlamento francês votou no passado mês a favor de um imposto de 2% sobre os ativos dos multimilionários do país, mas a lei não deve passar no Senado. Ainda assim, é um sinal claro da tração que têm vindo a ganhar as propostas neste sentido.

Segundo o estudo, a sobretaxa proposta resultaria em mais 19,4 mil milhões de euros para os cofres do Estado francês, seguido de Alemanha e Itália.

Os impostos têm tendência a subir durante períodos de guerra, mostram vários estudos, sendo que a Comissão Europeia anunciou recentemente um instrumento comum para financiar os investimentos necessários no imediato em 150 mil milhões de euros. Segundo um estudo do think-tank pan-europeu Bruegel, o bloco europeu necessita de mais 250 mil milhões de euros por ano para cobrir as necessidades de defesa.

Relacionado

Fortuna do setor tecnológico aumentou um bilião num ano

Fortuna do setor tecnológico aumentou um bilião num ano

Ruben Pires25 Ago
"Os magnatas da tecnologia [com 511 bilionários] registaram o maior aumento anual de riqueza, com o seu património líquido combinado a subir de 4,28 biliões de dólares (3,67 biliões de euros) em julho de 2025 para 5,30 biliões de dólares (4,54 biliões de euros) em julho de 2026, um ganho de 1,02 biliões de dólares (870 mil milhões de euros) em apenas um ano", refere a Best Brokers. Na lista segue-se a manufatura que enriqueceu num ano 328,3 mil milhões de dólares (281,40 mil milhões de euros) e possui 408 bilionários.