Tarifa bi-horária: promete poupança, mas só compensa a um punhado de perfis

A bi-horária só rende a quem consome à hora certa. Os dados mostram que para a esmagadora maioria das famílias não compensa.

Tarifa bi-horária: promete poupança, mas só compensa a um punhado de perfis
Luz Eletricidade

É uma das opções mais faladas por quem quer poupar na luz, e uma das mais mal aproveitadas. A bi-horária só rende a quem consome à hora certa.

Na hora de escolher a tarifa de eletricidade, a bi-horária tem fama de opção poupadora. A ideia é sedutora: pagar menos pela energia consumida nas horas de vazio, tipicamente à noite e ao fim de semana. Na prática, os dados mostram que para a esmagadora maioria das famílias não compensa.

Segundo a Análise de Mercado de Energia do ComparaJá, a tarifa simples, com um preço único ao longo do dia, concentra mais de nove em cada dez adesões, deixando a bi-horária com um peso residual. O mercado, no fundo, já votou com os pés.

A razão é aritmética. Na bi-horária, as horas de cheia, as do dia, costumam ser mais caras do que na tarifa simples; só se poupa se uma fatia relevante do consumo for genuinamente empurrada para as horas de vazio. Para quem trabalha fora e usa a casa sobretudo ao final do dia, o efeito é o contrário: paga-se mais nas horas em que mais se gasta.

A bi-horária compensa, sim, a um perfil específico: quem consegue concentrar o grosso do consumo à noite, com máquinas programadas, carregamento de veículo elétrico ou aquecimento de água em horário reduzido. Para esse consumidor, a poupança é real; para os restantes, é uma promessa que a fatura não cumpre.

A lição é a de sempre na energia: a melhor tarifa não é a que soa melhor, é a que encaixa no perfil de consumo de cada casa. Antes de aderir à bi-horária por reputação, vale a pena olhar para quando, e não só quanto, se gasta.

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