Tailândia: Novo PM confirmado com apoio de partidos militaristas no dia em que antigo líder regressa do exílio

Os populistas do Pheu Thai asseguraram a nomeação de Srettha Thavisin, um magnata do imobiliário, com o apoio de uma coligação de onze partidos sem a força que venceu as eleições de maio, o Seguir em Frente, e com dois partidos militaristas e pró-monarquia, isto no dia em que o antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra voltou de 15 anos de exílio.

Tailândia: Novo PM confirmado com apoio de partidos militaristas no dia em que antigo líder regressa do exílio
2017 - 44º lugar / 2016 - 47º lugar

Depois de meses de impasse, a Tailândia tem um novo primeiro-ministro. A coligação de onze forças políticas liderada pelos populistas do Pheu Thai, que conta com o apoio de dois partidos militaristas e pró-monarquia, assegurou esta terça-feira a nomeação de Srettha Thavisin, isto no dia em que o antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra regressou de um exílio autoimposto de 15 anos.

https://jornaleconomico.pt/noticias/tailandia-partido-populista-pheu-thai-alia-se-a-rivais-militaristas-para-formar-governo/

O partido regressa assim ao poder após ter sido afastado no golpe de Estado de 2014, quando as forças armadas do país tomaram poder. Após meses de indecisões e tensão política com o bloqueio do Senado ao partido vencedor das eleições de maio, o Seguir em Frente, Srettha Thavisin tem agora a difícil tarefa de formar governo com base numa coligação vista como frágil.

Thavisin, um magnata do imobiliário, contou com 482 votos entre 727 parlamentares presentes na sessão desta terça-feira, bastante acima dos 376 necessários para assegurar a nomeação. De destacar que o candidato do Pheu Thai, que tem uma rivalidade antiga com as fações conservadoras tailandesas, conseguiu mais de 150 votos no Senado, a câmara alta do parlamento, cujos membros são nomeados pela elite no poder, e não eleitos pelo povo.

O partido mais votado fica assim excluído da coligação de onze partidos que assumirá o poder, com a generalidade dos eleitores tailandeses a mostrarem o seu descontentamento pelo que afirmam ser uma traição à vontade popular. Por sua vez, o Pheu Thai fala na necessidade de compromissos para fazer avançar o país, justificando a decisão de não incluir o Seguir em Frente na coligação pela sua vontade expressa em reformar as leis de lesa-majestade.

Críticos e observadores do país dizem que a legislação é utilizada frequentemente para silenciar vozes dissonantes da junta militar e da monarquia, acarretando uma pena de prisão até 15 anos.

O Pheu Thai já disse querer reformar a constituição, embora sem alterar as leis relativas á monarquia. Ainda assim, a margem para tais alterações parece escassa dado o apoio crítico de dois partidos militaristas, segundo os analistas.

A eleição de Thavisin foi confirmada no mesmo dia em que o antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto em 2006, regressou ao país. À chegada, e apesar do apoio de uma multidão ansiosa pelo seu regresso, Thaksin foi detido para enfrentar acusações de abuso de poder e corrupção.

O milionário do sector das telecomunicações liderou o país de 2001 a 2006, sendo visto pelas populações rurais e mais vulneráveis como um revolucionário na política tailandesa pelo apoio a comunidades há muito ignoradas por Banguecoque. Em 2014, foi a vez da sua irmã, Yingluck Shinawatra, a ser deposta num golpe militar, cimentando ainda mais a rivalidade entre o partido e a classe militar.

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