Os custos de financiamento de vários países agravaram-se no arranque desta semana, depois da leitura da inflação nos EUA de abril mostrar nova subida assinalável de preços e com os mercados cada vez mais inclinados para o regresso dos bancos centrais à subida de juros.
Suportado pela IA e os 5 biliões de dólares da Nvidia, o mercado acionista americano está resiliente, enquanto a Europa corrige, apesar da subida das yields soberanas e da cotação do petróleo.
Esta terça-feira, a yield do tesouro, a 10 anos avançou cinco pontos base para os 4,281%, e a de dois anos subiu três pontos base para os 3,658%. A subir estiveram também as obrigações norte-americanas a 30 anos, com um incremento de cinco pontos base para os 4,977%.
A volatilidade e incerteza criadas pela política comercial norte-americana levaram os investidores a procurar a segurança do mercado de dívida, empurrando as yields para baixo. Títulos a 10 anos dos EUA tocaram mínimos de outubro e registaram maior queda em dois dias desde agosto.
Os EUA têm 28 triliões de dólares em dívidas com vencimento entre 2026 e 2030. As yields das obrigações norte-americanas rondam os 4% e cada ponto base extra é uma bomba-relógio orçamental. Pelo que a queda das yields ajuda a administração Trump.
EDP Renováveis caiu quase 5% na sessão de terça-feira e empurrou o índice para perdas, assim como a EDP e a Greenvolt, que perderam mais de 2%. Do BCE e da Fed chegam sinais de abrandamento no corte dos juros.
Os investidores parecem considerar que a vitória do RN foi menos expressiva do que o esperado e que, com este quadro, o partido presidido por Jordan Bardella não conseguirá uma maioria absoluta e que poderá ser afastado do poder por uma aliança entre a esquerda e os macronistas.
Os investidores reagem, assim, com otimismo aos números da inflação em abril - que desacelerou pela primeira vez desde janeiro -, que dão margem para acreditar em cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal norte-americana (Fed).
Se as expetativas de inflação mundiais continuarem a aumentar, existe uma grande probabilidade de o banco central do Japão abandonar a sua postura atual e deixar que as yields subam, valorizando o iene.