Num requerimento o antigo primeiro-ministro informa o Tribunal que “passei uma terceira procuração à Sr. Dr.ª Sara Moreira para me representar nos autos deste processo. A procuração, estou informado, será apresentada ainda hoje- e pedirá, como é legitimo e justificado face à dimensão do processo, prazo para a preparação da defesa”.
No despacho proferido em sala de audiência, Susana Seca determinou ainda o fim do mandato do advogado oficioso que tinha sido nomeado para representar José Sócrates após a renúncia, em 04 de novembro, do mandatário que acompanhava o ex-governante desde a sua detenção em novembro de 2014, Pedro Delille.
O Ministério Público (MP) confrontou hoje José Sócrates, em tribunal, com escutas em que este combinou um jantar, em 2014, em casa do ex-banqueiro Ricardo Salgado, tendo o antigo primeiro-ministro insistido que essa refeição nunca aconteceu.
Arranca hoje o inédito julgamento de um ex-primeiro-ministro, acusado de três crimes de corrupção, 13 de branqueamento e seis de fraude fiscal no âmbito do processo da Operação Marquês, que se arrasta há 14 anos. O julgamento irá decorrer no Campus da Justiça, em Lisboa, e, apesar de ter estatuto de urgente, as sessões serão suspensas durante as férias judiciais.
A Operação Marquês, processo judicial mais mediático de Portugal que decorre há mais de dez anos, conhece esta segunda-feira uma nova etapa: a data do início do julgamento dos arguidos. Pela primeira vez no país, um ex-primeiro-ministro vai sentar-se no banco dos réus.
Antigo primeiro-ministro adianta, em artigo no "Diário de Notícias", que a Operação Marquês foi "uma armação política" e que visou apenas impedir a sua "candidatura a Presidente da República e evitar que o Partido Socialista ganhasse as eleições legislativas de 2015".
Muito boa gente ainda hoje acredita que as mudanças operadas no BCP em 2008 foram originalmente arquitetadas, patrocinadas ou mesmo causadas por José Sócrates, Fernando Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio e seus “mandantes, cúmplices e operacionais”. Ora, nada é menos verdadeiro.
“Tirou do espaço público um antigo primeiro-ministro, impediu a sua candidatura a Presidente da República e impediu ainda que o PS ganhasse as eleições legislativas de 2015. Tudo num só lance. Dez anos depois recebe o seu prémio de carreira: a nomeação como Procurador-Geral. E com o aplauso de todos, todos os da política”, assinala o antigo primeiro-ministro.
Tudo aponta para que Sócrates não seja julgado porque os tribunais têm entendido que o crime de branqueamento não pode ser punido com uma pena superior ao crime que lhe é precedente, avançou o "Expresso".