A interdição das plataformas digitais caiu mal e desencadeia a revolta da juventude, mas as grandes causas estavam acumuladas: as frustrações e as perspectivas de um não futuro.
Se, no passado, as políticas keynesianas quase se tinham tornado ilegais face aos tratados europeus, agora a dívida é permitida para fins de defesa. Mas é impossível pensar que isso não implicará escolhas terríveis.
A incerteza política, provocada pela queda do Governo, não vai travar os investimentos das empresas nacionais, que se distinguem pela sua resiliência e pelo facto de estarem "habituadas a viver com uma navegação curta e à vista", dizem os especialistas na conferência Rota do Crescimento Leiria, organizada pelo JE.
Uma das razões para termos chegado aqui é a opção do Presidente da República de ter alterado a natureza da eleição parlamentar, defendendo que se trata da eleição do primeiro-ministro.
Moção de confiança ao Governo foi rejeitada e, um ano e um dia após a vitória da Aliança Democrática (AD), o executivo chefiado por Luís Montenegro cai. Presidente da República ouve todos os partidos com assento parlamentar esta quarta-feira. Conselho de Estado está marcado para quinta-feira.
“Tivemos um golpe de Estado em Portugal, mas de uma natureza nova (uma remoção de um primeiro-ministro, perpetrada por meios não violentos)”, escreve o ex-ministro da Cultura, num artigo de opinião publicado no "Público".
Deveria ter sido feita uma reflexão no pós-socratismo. Há muito, mas sempre vão a tempo de a fazer. Simplesmente, entretanto, o escândalo maior é outro.
Pedro Nuno Santos decretou que nos próximos quatro meses não se falaria do processo judicial de tráfico de influências que abalou o nosso sistema político. A realidade ditará o contrário.