A hegemonia, no atual contexto, deixa de ser um instrumento de estabilidade e passa a ser um vetor de risco. E aqui reside o ponto central: se o mundo está a pagar a conta, não deveria também ter o direito de cobrar?
Não será por acaso que a falcão Hillary Clinton veio, numa entrevista ao programa 60 minutos, tecer loas a Donald Trump elogiando-o pelo ataque ao Irão. Democratas e republicanos servem a mesma oligarquia dos negócios. Ambos subscrevem o mesmo projeto de hegemonia global.
Com o ataque ao Irão, Trump envolveu-se simultaneamente em duas crises estratégicas. No início do século XXI, Washington evidenciou uma enorme dificuldade em lidar ao mesmo tempo com o Afeganistão e o Iraque. Os resultados dessas decisões são conhecidos.
Jeffrey Sachs, um dos economistas mais influentes da actualidade, antecipou recentemente que a relevância da hegemonia do dólar norte-americano cairá drasticamente nos próximos 10 anos, apontando 2035 para a sua banalização, ou seja, uma moeda ao nível de muitas outras.
Às manifestações de perda de influência política e estratégica da Europa, junta-se a crise económica que ameaça acentuar-se, estando a Alemanha no epicentro deste processo.
A verdadeira salvaguarda da soberania, no mundo realista e desigual da geopolítica, talvez resida justamente naquilo que o Tratado de Não-Proliferação Nuclear tenta, há muito, impedir.
Diante do declínio da hegemonia americana, a eleição de um Papa norte-americano oferece aos EUA uma oportunidade única de reposicionamento global, não pela força económica ou militar, mas pela influência moral.
O processo de reconfiguração do modelo económico ainda está em curso e a resposta americana atual, mais não é do que uma tentativa de produzir uma nova hegemonia.
Ao priorizar a competição em detrimento da cooperação, Washington não apenas prejudica as relações bilaterais, mas também coloca em risco a estabilidade econômica e política global.
Os BRICS não se limitam a desafiar o status quo. Sua função mais essencial é dar voz ativa aos países emergentes e permitir sua influência no processo de reforma do poder global.
Nesta obra, Amin Maalouf propõe uma reflexão sobre os últimos dois séculos da História de três países que, cada um à sua maneira, têm posto em causa a supremacia ocidental: o Japão imperial, a Rússia soviética e a China.
A guerra da Ucrânia transformou-se num divisor de águas que pode encerrar abruptamente o domínio hegemónico norte-americano. Vários erros estratégicos têm tornado irreversível a trajetória de declínio.