Seja qual for o vencedor das eleições no país, herdará uma política externa feita de equilíbrios e da gestão da posição geopolítica funcional que a Turquia tem, mas que também foi construindo.
A deputada portuguesa, integrada no grupo da missão de observação eleitoral da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, falava à agência Lusa desde Paris, no regresso a Lisboa após ter assistido à votação em Ancara (centro da Turquia) e em Esmirna (oeste).
Erdogan acabou a noite com uma vitória minoritária que, embora não evitando uma segunda volta, é uma demonstração de força para o atual presidente, cuja saída a oposição parecia tomar como cada vez mais garantida.
Esta não é uma oportunidade de mudança de regime na Turquia; é "A" oportunidade. Dificilmente, nos próximos anos, se conjugarão de forma tão desafiadora para Erdogan as condições que hoje se reúnem.
Apesar das alterações à Constituição, apesar dos desastres naturais, apesar da agenda internacional saturada, o atual presidente está longe, segundo as sondagens, de garantir mais uma reeleição. Tudo indica que só na segunda volta haverá uma decisão definitiva.