A segunda semana do julgamento do Caso BES ficou marcada pelos depoimentos de quem denunciou os buracos nas contas. Queiroz Pereira revelou tentativa de compra de Marcelo em 2018.
Para Pedro Queiroz Pereira, esta conversa do ex-banqueiro com o antigo governador tratou-se de uma ameaça velada: "Assim como quem diz: 'Se calhar tenho que falar com alguém para te tirar'. Uma prepotência desmedida".
O antigo presidente da Semapa, Pedro Queiroz Pereira, que morreu em 2018, acusou Ricardo Salgado de ter tentado "comprar" Marcelo Rebelo de Sousa através da namorada do atual Presidente da República, algo que a defesa do ex-banqueiro negou em absoluto.
Ex-líder do BES/GES omitiu 5,3 milhões de euros de rendimentos recebidos no estrangeiro e que seriam provenientes de três sociedades offshore do Grupo Espírito Santo entre 2008 e 2014. Entre estas sociedades está a entidade que, de acordo com o Ministério Público, terá funcionado como uma espécie de saco azul do GES.
"O tribunal constata que a pessoa não está no uso de todas as faculdades e designa uma pessoa que substitua a pessoa diminuída", explica a advogada Ana Pires, coordenadora do Departamento de Família e Menores da sociedade RSA.
“Percebi logo que alguma coisa se ia passar. Depois de jantar pediu-me para ir ao escritório dele e aí perguntou-me o que é que eu queria. E eu respondi que queria que o BESI pudesse ter mais capital para se desenvolver”, começou por explicar Ricciardi.
As primeiras sessões do julgamento do caso BES demonstraram ao público um ex-banqueiro debilitado, algumas falhas técnicas na reprodução das gravações e uma ministra contra megaprocessos.
"Tais propósitos foram conseguidos desde 2008 com condutas (…) a fim de iludir clientes e investidores”, referiu a magistrada do Ministério Público no primeiro dia do julgamento do caso BES.
Francisco Proença de Carvalho disse esta terça-feira que o ex-banqueiro não tem consciência de que está no julgamento do caso BES. À saída do Campus da Justiça, o advogado alertou para os erros dos poderes públicos, além dos da gestão do grupo liderado por Ricardo Salgado.
"O senhor deixou um documento escrito a dizer que existia uma provisão. Onde é que está a provisão?". A questão foi colocada por um lesado do BES diretamente a Ricardo Salgado à chegada ao Campus de Justiça em Lisboa.
Ricardo Salgado, histórico presidente do BES, vai a julgamento por 62 crimes no âmbito do mega-processo “Universo Espírito Santo”. Passaram mais de 10 anos após a queda do BES em agosto de 2014 e não se sabe quantos anos durará o julgamento. Pelo caminho já morreram três importantes testemunhas, António Ricciardi (cujo testemunho gravado vai ser transmitido), José Manuel Espírito Santo e José Castella.
Ricardo Salgado viu cair dois crimes de falsificação de documento e um de infidelidade da lista de 65 crimes pelos quais tinha sido acusado pelo Ministério Público em 2020.
Segundo informação divulgada pelo CSM, um dos arguidos sujeito a termo de identidade e residência (TIR) “apenas foi notificado no passado dia 04 de março”, situação que motivou o adiamento.
Em despacho a que a Lusa teve acesso, a juíza justificou "a remessa dos pedidos de indemnização para os meios comuns (justiça cível) por ser intolerável o retardamento que acarreta ao processo penal e por as matérias que convoca não se compaginarem, em sede penal, com o rigor que se exige do julgador".
O antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES) irá responder em tribunal por 65 crimes de corrupção, associação criminosa, burla, branqueamento de capitais, falsificação de documento, infidelidade e manipulação de mercado.
O banqueiro e economista admite que Salgado tentou o tentou subornar. Diz ainda que se foi apercebendo de coisas que lhe permitiram perceber que estava em causa um roubo à família Espírito Santo.
O valor é necessário para que o agora Banco Económico possa cumprir a "regulamentação em vigor", depois de ter terminado o último exercício com um prejuízo acima de 39 milhões de euros.
Decisão foi conhecida ao início desta tarde. É o maior processo de sempre da justiça portuguesa e demorou nove anos até chegar a esta fase. Conheça os crimes pelos quais Ricardo Salgado será julgado.
Tiago Rodrigues Bastos, advogado de Etienne Cadosh, arguido que reside na Suíça, admitiu durante o intervalo que a leitura da decisão poderá ser adiada, confirmando que o seu constituinte lhe garantiu não ter sido notificado. Outros advogados de defesa contactados pela Lusa admitiram que a sessão pode vir a ser adiada, embora o juiz possa também mantê-la.