O acionista público tomou decisões corajosas e atuou como atuaria um privado na preparação da venda. O mais confortável seria nada mudar. Fez-se o contrário.
Na Azores Airlines, embora o resultado líquido final ainda tenha permanecido em terreno negativo devido a fatores extraordinários e à falta de compensações nas rotas de Serviço Público (OSP) , o esforço de consolidação permitiu estancar o prejuízo em 17,3 milhões de euros.
O caderno de encargos proposto pelo conselho de administração da SATA ao Governo dos Açores, a que agência Lusa teve acesso, estabelece um modelo de “negociação particular” para a privatização da companhia aérea, que vai ter de ser concluída até final do ano, segundo o plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia.
O aumento da oferta abrange as rotas Lisboa <> Ponta Delgada (mais três frequências), Lisboa <> Terceira (mais duas), Porto<>Ponta Delgada (mais duas) e Porto<> Terceira (mais uma), referiu a Azores Airlines.
Segundo a comunicação da Comissão Europeia, a que a agência Lusa teve hoje acesso, as autoridades portuguesas defenderam que a privatização da Azores Airlines encontrou “dificuldades imprevistas” com “fatores fora do controlo” do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) e da SATA, que impediram o cumprimento do prazo previsto para a conclusão do processo (31 de dezembro de 2025).
O presidente do conselho de administração da SATA, Tiago Santos, considerou esta segunda-feira que a proposta do consórcio Atlantic Connect Group para alienação da Azores Airlines "não serve os interesses" da companhia, dos açorianos e do Governo Regional.
Atlantic Connect Group criticou o parecer do júri e diz-se preparado para defender os seus direitos "através de todas as vias legais, nacionais e internacionais, ao seu alcance".
Após a análise, o processo será remetido ao Governo Regional dos Açores, "solicitando a respetiva orientação quanto ao seguimento a dar ao processo de alienação".
Júri recomenda a rejeição da proposta considerando por o "risco económico da operação" ficar "essencialmente do lado da SATA", com o risco de a operação ser qualificada como ajuda estatal.
A Azores Airlines, que já teve uma oferta de aquisição por parte de um consórcio liderado por Carlos Tavares (ex-CEO da Stellantis), acumula até setembro um prejuízo de 33,3 milhões de euros, melhor em 5% face ao ano anterior.
Proposta é de 17 milhões de euros por 85% do capital da transportadora aérea que liga os Açores ao exterior. É a única que está em cima da mesa neste processo de privatização.
Segundo avançou à agência Lusa fonte ligada ao processo, o júri aceitou o adiamento da data-limite, que terminava hoje, uma decisão tomada ao final do dia.
O sindicato revela “avanço positivo” na negociação para privatização da Azores Airlines. "As equipas negociais do SPAC e do Consórcio encontram-se a ultimar os detalhes do documento, que será posteriormente submetido à apreciação e votação dos Pilotos, em Assembleia de empresa", refere o SPAC.
O SPAC considera que a opção “colide com o próprio calendário imposto pelo júri, que fixou o dia 10 de novembro como prazo para a proposta vinculativa do consórcio Newtour/MS Aviation, “comprimindo de forma injustificada o tempo útil de análise e negociação com os trabalhadores” da companhia área açoriana.
No encontro, o SPAC expressou a sua "total disponibilidade" para colaborar com Newtour/MS Aviation e com a SATA Holding, de modo a construir soluções de futuro para a Azores Airlines, com todo o respeito e cuidado pela defesa dos direitos e interesses dos Trabalhadores e da Região Autónoma dos Açores. O sindicado refere que "foi um primeiro passo sólido".
Os Pilotos acreditam que a privatização é inevitável e estão disponíveis para contribuir de forma responsável e construtiva com o processo — desde que exista acesso claro aos dados e informação que permitam um verdadeiro diálogo.
"O futuro da Azores Airlines está preso num colete de forças, criado pela Administração da SATA Holding, com o objetivo aparente de impedir a privatização e essa responsabilidade deve ser assumida", acusa o consórcio.