Tabaco ‘sem fumo’ sob a mira da OMS

Grandes grupos do sector podem ter enormes perdas de lucros se medidas restritivas forem impostas a estes produtos alternativos. A Organização Mundial da Saúde está no terreno, mas as suas propostas não são vinvulativas.

Tabaco ‘sem fumo’ sob a mira da OMS
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Grandes empresas do sector do tabaco estão a migrar para novos produtos com nicotina. Grupos como a Philip Morris International e a British American Tobacco, têm mais a perder se as alternativas ao tabaco enfrentarem as mesmas regras que os cigarros tradicionais, disseram investidores e analistas citados pela agência Reuters.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu esta quinta-feira aos governos que apliquem controlos semelhantes aos impostos ao tabaco às novas formas de fumar – que, segundo alguns estudos, fazem ainda pior que a ‘velha’ folha de tabaco partida aos bocadinhos e enrolada num pedaço de papel.

Se adotadas, essas medidas podem significar novos problemas para as empresas de tabaco que desenvolvem produtos alternativos aos cigarros, já que restrições mais rígidas e a crescente conscientização sobre os riscos para a saúde pressionam negativamente os negócios.

A Philip Morris, a maior empresa de tabaco do mundo em valor de mercado, liderou a mudança para alternativas de fumo, ajudando a sua relação preço-lucro – um importante indicador de mercado das avaliações das empresas – no sentido de um aumento substancialmente em comparação com as rivais.

O problema é que isso também significa que o grupo tem mais a perder se novas e rígidas regulamentações se estenderem aos produtos de nicotina de forma mais ampla, disse Pieter Fourie, gerente do Fundo Global de Alta Qualidade da Sanlam, que detém stock de tabaco, citado pela Reuters. “Talvez essa vantagem desapareça”, disse.

No caso da Imperial Brands, as consequências seriam menos gravosas. A Imperial redefiniu a sua estratégia em 2021 para se concentrar no negócio tradicional de tabaco, reduzindo as suas aspirações face aos novos produtos de nicotina depois de perder várias metas de vendas e de ver afetada a área dos cigarros por ter perdido esse foco.

Já a British American Tobacco está a investir fortemente em produtos alternativos, focados em vaping e nicotina oral, e quer que 50% das suas receitas venham deste tipo de soluções até 2035.

Em comparação, a meta da Philip Morris é de atingir 66% da receita líquida por via de produtos ‘sem fumo’ até 2030. Para isso, grande parte dos cerca de 10,5 mil milhões de dólares que investiu em produtos ‘sem fumo’.

As recomendações da OMS surgem antes de uma conferência bienal de 183 países que vai debater um tratado global de controlo do tabaco, marcada para o próximo. A agência da ONU não tem autoridade sobre as regulamentações nacionais, apenas fornecendo orientação – mas a verdade é que tem poder de influência assinalável.

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