Pedro Borges de Lemos, Advogado

Ser patriota

Patriotismo é o sentimento de orgulho e devoção à Pátria, mas também o sinal maior de fidelidade aos  seus símbolos e, sobretudo, ao seu povo.

No espetro político português onde não existe neste momento, com representação parlamentar, um partido verdadeiramente de direita que possa ser a afirmação dos valores nacionais, urge repensar a restauração do sentimento de pertença a uma nação historicamente devota à sua identidade.

Ser patriota é promover os deveres morais que a comunidade política deve seguir e respeitar. Vivemos uma grave crise de princípios na classe política. O ânimo que os nossos agentes políticos empregam na defesa dos interesses privados e ambições pessoais é incomparavelmente maior do que aquele que destinam aos interesses comuns.

A dedicação ao país, a identificação com a nação, a preocupação e a solidariedade com os nossos compatriotas define o conceito intemporal de patriotismo, tão intencionalmente esquecido pelos partidos do espetro português. Afirmar Portugal na Europa e no mundo é um imperativo categórico que cada vez está mais arredado das prioridades do Estado.

Hoje, a defesa da Pátria deveria revelar-se na luta contra os impulsos que ponham em risco a segurança do Estado, a soberania nacional e a sua autodeterminação, sobretudo nas questões europeias e da imigração. Em Portugal, o envolvimento quase nulo na causa pública por parte da sociedade civil, que se traduz na ausência de fiscalização à atividade dos vários Governos, tem ajudado a aumentar exponencialmente os abusos, o enriquecimento ilícito, a corrupção, os compadrios, em suma – a ideia de impunidade.

Dizer que se é patriota e torcer pelo país só quando joga a seleção nacional é pobre para uma nação que acredita desde o Séc. XVII na crença quiliástica do Quinto Império. Desde a conquista de Ceuta até à devolução da soberania de Macau à China que Portugal se orgulhou de ser o mais antigo dos impérios coloniais europeus modernos.  Está na hora de o lembrar e voltar a mostrar a velha têmpera de que é feito o povo português.

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