“Se a guerra persistir, haverá efeitos seriamente adversos na economia”, avisa Castro Almeida

O país não sofre risco de abastecimento de petróleo e de gás porque não depende do estreito de Ormuz, mas está exposto à subida dos preços nos mercados internacionais. Sobre a concertação social, ministro diz que o Governo "quer intensamente o acordo".

“Se a guerra persistir, haverá efeitos seriamente adversos na economia”, avisa Castro Almeida
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O ministro da Economia avisou hoje que se a guerra EUA-Irão se prolongar a economia será “seriamente” afetada tanto em Portugal como a nível global, com o disparo nos preços do petróleo e do gás.

Ao 11º dia da guerra, e depois do gasóleo ter disparado 20 cêntimos na bomba no arranque desta semana, com um desconto fiscal de 3,5 cêntimos, a grande questão agora é quanto tempo vai durar o conflito no Médio Oriente que coloca pressão sobre o preço da matéria-prima energética, que influencia toda a economia global.

“Se a guerra se resolver em poucos dias, que está a acontecer, são epifenómenos que se sentem no bolso das pessoas, de alguma forma, durante algum tempo; da mesma forma que apareceram, desaparecem após algum tempo. Se a guerra persistir, aí haverá efeitos seriamente adversos na economia portuguesa, europeia e mundial”, disse esta terça-feira Manuel Castro Almeida.

O petróleo segue esta terça-feira a corrigir as subidas recentes com um recuo de 8% para 91 dólares por barril. Já o gás afunda mais de 14% para 48 euros/Mwh.

“Não temos risco direto ao que respeita ao abastecimento energético, quer o gás, quer o petróleo, não usam a rota do estreito de Ormuz. Estamos a salvo do ponto de vista do abastecimento, mas não estamos a salvo, de aumento generalizado de preços que está a acontecer”, acrescentou, recordando que o Governo já aprovou descontos fiscais após as subidas no gasóleo.

A ideia, explicou, é que o “Governo não ganhe com a guerra” e que o “aumento de preços que a guerra implica não tenha também uma tradução no aumento da receita fiscal”, acima um certo valor “prescinde” da receita fiscal.

O ministro falava à margem do Fórum Banca 2026 organizado pelo Jornal Económico que decorreu hoje em Lisboa.

Sobre a gasolina, que não sofreu um aumento tão grande como o gasóleo e não foi abrangido pelo desconto fiscal, o ministro disse que a decisão do executivo é que será devolvido o IVA aos contribuintes, quando a gasolina superar uma subida de 10 cêntimos.

Em relação ao alargamento das medidas de apoio às empresas, Castro Almeida disse que o Governo “está atento para poder corrigir situações que possam causar dano estrutural na economia”.

“Não há um fetiche se o crescimento vai ser de 1,9% ou de 2%, ou se o saldo [orçamental] vai ser positivo ou negativo. Não deixaremos de ter a preocupação em primeiro lugar, que são as pessoas”, afirmou.

Questionado sobre o o fim das negociações entre patrões e a UGT sobre o acordo laboral na Concertação Social, disse que quer “intensamente” um acordo.

“Se não há acordo, não é por falta de vontade do Governo. O Governo quis intensamente fazer o acordo, e quer intensamente o acordo”, afirmou o ministro da Economia.

Sobre se admite enviar o documento para o Parlamento sem a aprovação na Concertação Social, limitou-se a dizer: “vamos ver, vamos ver”.

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