A estabilidade, credibilidade e confiança são três pilares inegociáveis do setor financeiro, num momento transformador para o panorama bancário português e europeu. Esta foi a reflexão deixada por N’Gunu Tiny, fundador do Emerald Group e do grupo Media Nove.
Para este responsável, o Fórum Banca 2026, que acontece esta terça-feira em Lisboa e é organizado pelo JE, “é um espaço privilegiado de reflexão estratégica do setor bancário português e europeu”.
“A atividade bancária continuará a ser um bem essencial. O que está a mudar é o seu papel e a sua arquitetura. A integração da Inteligência Artificial já não é opcional. A adaptação ao Euro Digital será inevitável. A modernização de sistemas legados é urgente”, resume a sua intervenção no Fórum Banca 2026.
“Se no ano passado refletíamos sobre rentabilidade, capital e eficiência, hoje somos chamados a discutir algo ainda mais estrutural: a redefinição do próprio modelo bancário”, disse.
N’Gunu Tiny refere que “este é um momento particularmente transformador da banca” e que nesta edição, o JE desafia os responsáveis a “refletir a redefinição do modelo bancário”, que na sua opinião está assente em oito grandes vetores: capital, experiência, trabalho, tecnologia, risco, concorrência, consolidação.
Destaca N’Gunu Tiny que “tudo o que sabemos sobre dinheiro está a mudar, exceto o facto de continuar a ser dinheiro” com o “euro digital a aproximar-se e as carteiras digitais a multiplicarem-se”.
“Pagamentos instantâneos, verificação automática de beneficiários e novas infraestruturas digitais tornaram-se padrão europeu, sob
enquadramento do Banco de Portugal e do Banco Central Europeu. O Euro Digital aproxima-se. As stablecoins e os depósitos tokenizados
entram progressivamente no mainstream. As carteiras digitais multiplicam-se. O fluxo financeiro deixa de ser apenas bancário — passa a ser tecnológico”, disse o Chairman e CEO do Emeralg Group.
“A Inteligência Artificial deixou de ser ferramenta para se tornar infraestrutura. A próxima etapa não é apenas o chatbot, mas a IA Agente — sistemas com capacidade transacional, que executam tarefas, apoiam compliance e investigam fraude. O próprio Banco de Portugal desenvolveu soluções internas de IA para reforçar a supervisão e análise. A tecnologia é hoje o motor do negócio bancário”, referiu N’Gunu Tiny.
“A nova geração de clientes exige rapidez, transparência, personalização e experiência mobile-first. A IA permite aconselhamento financeiro proativo e gestão personalizada de poupança. A estratégia do cliente deixou de ser apenas um departamento, é o core do negócio. A IA deixou de ser ferramenta para se tornar infraestrutura no apoio a tarefas, na investigação à fraude. É o motor do negócio bancário”, refletiu N’Gunu Tiny na abertura do evento.
Por outro lado, “a transformação tecnológica exige transformação humana. A banca precisa hoje de perfis híbridos — finanças e tecnologia, risco e ciência de dados. O maior desafio já não é apenas investir em sistemas. É investir em pessoas capazes de os liderar”, acrescentou o gestor.
Assim, “o maior risco é não inovar mas sempre com base no equilíbrio”, sendo que “a confiança será sempre o ativo mais valioso da banca”, sublinhou. “Mas a inovação exige equilíbrio: cibersegurança, proteção de dados, resiliência operacional. Fraudes baseadas em IA exigem defesa baseada em IA” alertou lembrando que “a confiança continuará a ser o ativo mais valioso da banca”.
A concorrência já não é entre bancos mas sim com uma série de novos players. “É com fintechs. É com bancos digitais. É com gigantes
tecnológicos. É com o shadow banking e o private credit, que continuam a crescer fora do perímetro regulatório tradicional. A questão não é
apenas digitalização — é eficiência estrutural”.
“Acresce à concorrência dos shadow banking e private credit os riscos que podem contagiar o sistema bancário tradicional. Não passou despercebida a ninguém a notícia que a BlackRock foi obrigada a limitar os resgates de um dos seus principais fundos de crédito privado depois de ter recebido pedidos de levantamento no valor de 1,2 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, aproximadamente 9,3% do seu valor patrimonial líquido, tendo os pedidos de resgate ultrapassado o limite de 5% pela primeira vez desde a criação do fundo”, lembrou o empresário.
Por outro lado, a simplificação regulatória será determinante para o futuro do setor”, destaca. “A Europa enfrenta hoje um debate crucial: como manter estabilidade sem comprometer competitividade? O excesso de complexidade regulatória pode limitar a capacidade de escala face aos Estados Unidos e à Ásia. A simplificação regulatória, sem abdicar da prudência, será determinante para o futuro do setor a questão já não passa apenas pela digitalização”.
Por fim o empresário abordou o tema da consolidação. na sua opinião “a fragmentação do mercado europeu continua a ser um entrave”.
“O debate sobre fusões e aquisições ganha novo fôlego, especialmente após as reflexões estratégicas sobre competitividade europeia. Ganhar escala não é apenas uma opção estratégica — pode tornar-se uma necessidade estrutural”, acrescentou.
Para concluir, N’Gunu Tiny realçou que “a atividade bancária está a mudar e este fórum demonstra que o futuro do sistema financeiro só pode ser construído de forma colaborativa”, sempre com três pilares que considerou “inegociáveis”: “Estabilidade, credibilidade e confiança são três pilares inegociáveis”.
“Sem eles, não há investimento. Sem investimento, não há crescimento. Sem crescimento, não há prosperidade”, disse.
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(atualizada)