Rússia disposta a reforçar potencial militar e “liderança” da Argélia no norte de África

Shoigu, ministro da Defesa russo, sublinhou que se pretende transmitir "um claro sinal a todo o mundo de que a Rússia e a Argélia estão decididas a conduzir uma política externa independente e a defender os seus interesses nacionais apesar da pressão sem precedentes do ocidente”.

Rússia disposta a reforçar potencial militar e “liderança” da Argélia no norte de África
Michael Parulava/Unsplash

O ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, manifestou hoje a disposição em reforçar o potencial militar e a “liderança” regional da Argélia, após reunir-se em Moscovo com o seu homólogo do país árabe e magrebino, Said Chengriha.

“O Ministério de Defesa da Rússia está disposto a contribuir para incrementar o potencial militar das Forças Armadas da Argélia”, disse Shoigu citado num comunicado oficial.

Shoigu sublinhou que Moscovo está interessado “numa posição e liderança da Argélia e no fortalecimento da segurança e estabilidade regionais no norte de África”.

Também recordou a declaração de parceria estratégica subscrita pelos dois presidentes, cuja relação de amizade permite o desenvolvimento dinâmico das relações bilaterais, indicou o ministro.

“Enviamos um claro sinal a todo o mundo de que a Rússia e a Argélia estão decididas a conduzir uma política externa independente e a defender os seus interesses nacionais apesar da pressão sem precedentes do ocidente”, assinalou.

Em paralelo, Chengriha assegurou que o seu país está a efetuar todos os esforços para reforçar a sua capacidade militar com o objetivo de contrariar as ameaças e perigos que o Estado enfrenta.

Nesse sentido, denunciou o “comportamento destrutivo” das potências ocidentais.

O ministro argelino recordou o apoio da União Soviética em 1954 à revolução que impôs a independência argelina do jugo colonial francês em 1962.

Na semana passada, no decurso da cimeira Rússia-África, o Presidente russo Vladimir Putin disponibilizou a cooperação da Rússia com os países do continente africano, em particular no Sahel, pelo reforço da sua segurança e soberania.

No decurso da reunião, as delegações africanas visitaram as instalações onde se encontravam os sistemas antiaéreos russos e os últimos modelos de armas da empresa Kalashnikov.

Na anterior cimeira de 2019, a Rússia assinou contratos no valor de 10 mil milhões de dólares (cerca de nove mil milhões de euros) com os países africanos.

Por sua vez, o chefe do grupo paramilitar Wagner, Yevgeny Prigozhin, expressou a intenção de regressar ao continente, e que já se regista na República Centro Africana, onde no domingo os seus homens garantiram a segurança durante o referendo constitucional.

O Kremlin condenou o golpe miliar no Níger da passada quarta-feira, exigindo o restabelecimento da ordem constitucional, mas Prigozhin defendeu abertamente a rebelião como um exemplo da rejeição da ingerência ocidental na região.

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