Eduardo Teixeira, Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

Rumo ao futuro

A par das mutações técnicas e tecnológicas, as cidades e a utilização de veículos ‘públicos’ terão de ser repensados. Novas cidades trarão, literalmente, novos cidadãos.

O dicionário define as cidades como sendo “áreas densamente povoadas que contêm zonas residenciais, comerciais e industriais, onde existe uma concentração de habitantes em espaços amplos onde ocorrem relações e fenómenos sociais, culturais e económicos”. Também é consensual reconhecer, na diversidade, que as suas características diferem entre continentes, entre países e até entre regiões de um país.

Estima-se que até 2050 a população mundial seja mais concentrada e mais idosa, e que atinja os dez mil milhões de habitantes, num aumento exponencial da esperança média de vida da população. Mas, como acomodaremos todas essas mudanças nas nossas cidades? Como serão as cidades do futuro?

No futuro, as cidades poderão assemelhar-se a aldeias que podem ser percorridas a pé, tal como acontecia em meados do século XX, incluindo os subúrbios atuais, que estão a demonstrar um interesse renovado nos princípios urbanos tradicionais da mobilidade a pé. Calcula-se, assim, que muitos dos subúrbios, evoluirão para áreas autónomas super urbanizáveis.

Posto isto, a utilização de automóveis deverá diminuir, com a implementação de veículos autónomos e outras tecnologias disruptivas, dando, por exemplo, lugar ao automóvel voador autónomo. E, antes disso, é possível que a propriedade automóvel mude radicalmente: em vez da aquisição de veículos, as pessoas passarão a andar em veículos partilhados, numa utilização comunitária mais intensiva e generalizada.

Também a arquitetura deverá sofrer mudanças nos próximos anos. Haverá menos edifícios de utilização única e os atuais edifícios de escritórios transitarão para bairros verticais capazes de acolher quatro ou mais utilizações em cada edifício. O sector do comércio, por sua vez, sofre atualmente uma enorme transformação, mas os rumores de futuros serviços de entrega de drones é, também, uma forte possibilidade.

O aumento populacional exigirá reinvestimentos nas atuais infraestruturas, nomeadamente a eletricidade, o saneamento, as telecomunicações, para serem mais eficientes, sustentáveis, flexíveis e descentralizadas. Hoje, milhares de casas geram a sua própria energia através de painéis solares. Uma solução que, além de atrativa para os proprietários, também ajuda a descentralizar a retrógrada rede elétrica, sensível a ciberataques.

Espera-se, igualmente, e para breve, uma revolução no campo das baterias, com duração muito superior e carregamentos ultrarrápidos. As melhorias na recolha de águas terão, certamente, impactos positivos semelhantes nos sistemas de saneamento e fornecimento de água potável.

Apesar de não termos uma bola de cristal pra adivinhar como serão acomodadas as nossas cidades às mudanças populacionais em 2050, espera-se que as mudanças com mais impacto passem por um trânsito de alta capacidade, que reduza as emissões e acelere os tempos de deslocação.

A par destas mutações técnicas e tecnológicas, as cidades e a utilização de veículos ‘públicos’ terão de ser repensados. Novas cidades trarão, literalmente, novos cidadãos. Vamos a isso… rumo ao futuro!

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