Redação

Responsabilidade ambiental

Fui ontem às compras ao hipermercado habitual da minha zona e, pela primeira vez, não transportei as compras nos sacos plásticos de costume. Adquiri sacos reutilizáveis, grandes e robustos, com alças em têxtil confortável e trouxe as compras usando apenas dois sacos grandes.
Confesso que gostei da sensação. Gostei da ideia de que pedaços dos meus sacos de plástico “leves” (assim se chamam os sacos para compras dos supermercados e das lojas de baixo custo) não vão ficar a boiar nos rios ou nos oceanos durante os próximos 300 anos a conspurcar o ambiente e a natureza. Gostei da ideia de que, tal como eu, milhões de portugueses poderão vir a fazer o mesmo e que por isso, poderemos vir a reduzir o enorme rasto destes resíduos não biodegradáveis que deixamos por onde passamos. Isto sem falar nos custos significativos que estão associados à recolha e tratamento deste tipo de lixo, cuja matéria-prima é derivada do petróleo e que, ainda por cima, contribuem para as emissões de gases com efeito de estufa.
Cada português usa em média cerca de 500 sacos por ano, distribuídos ou vendidos nos supermercados, o que corresponde a duas mil toneladas de sacos de plástico em todo o país. Imagine-se ou visualize-se uma nova montanha gigantesca de duas mil toneladas de sacos de plástico em cada ano, a acumular-se no nosso território, nos nossos rios e no nosso mar! Este assunto é claramente uma questão prioritária de cidadania e todos os esforços devem ser feitos para se alterarem os hábitos e as praticas que levam a esta situação.
Tal como está a suceder nos restantes países da EU, também em Portugal se procurou legislar sobre esta matéria e a solução encontrada pelo governo foi a mais simples: taxem-se os sacos de plástico – prevê-se que os consumidores deixarão de os usar tanto e os que ainda sucumbirem à preguiça de trazer de casa o saco reutilizável quando forem às compras, contribuirão para o Orçamento de Estado – 167 Milhões de euros/ano, é a previsão de receita do governo.
Teria sido melhor ouvir outras sugestões, como por exemplo, o sistema de desconto mínimo – um desconto sobre o preço das mercadorias vendidas ao consumidor final, sempre que este prescinda dos sacos de plástico fornecidos gratuitamente pelo agente económico. Mas a prioridade ambiental do governo confundiu-se com a prioridade orçamental, e deste modo, atacaram-se dois problemas na mesma frente de batalha.
Entretanto, políticas à parte, nós, cidadãos preocupados com o nosso planeta e com o nosso país, façamos a nossa parte: esqueçamos os “sacos de plástico” e passemos a transportar as compras em sacos reutilizáveis. Reconciliemo-nos com a natureza. É simples e é barato.

Gabriela Canavilhas
Pianista, deputada e ex-ministra da Cultura

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