Reino Unido enfrenta nova contração agressiva da economia, segundo PMI

Os inquéritos privados à economia britânica mostram um abrandamento considerável da atividade, registando um mínimo de 31 meses à medida que a indústria se deteriora ainda mais e os serviços perdem fulgor.

Reino Unido enfrenta nova contração agressiva da economia, segundo PMI
Reino Unido

A economia britânica volta a dar sinais preocupantes de quebra da atividade, com os mais recentes inquéritos privados a revelarem uma queda acentuada das perspetivas de curto-prazo. Os índices de gestores de compras (PMI) revelados esta quarta-feira atingiram mínimos de 31 meses na leitura composta, com a indústria a pesar e os serviços a entrarem em terreno de contração.

Depois de ter chegado aos 50,8 em julho, o indicador nominal recuou para 47,9 em agosto, o valor mais baixo desde janeiro de 2021, segundo a estimativa rápida. A expectativa do mercado situava-se em 50,3, pelo que os investidores reagiram com apreensão às notícias.

A indústria continua a sua trajetória descendente, com agosto a registar o décimo terceiro mês consecutivo de quebra na atividade das fábricas britânicas. O subindicador recuou de 45,3 em julho para 42,5 em agosto, isto quando a projeção era de uma subida para 45. Do lado dos serviços, os 51,5 do mês anterior, ainda em terreno de expansão (acima de 50), caíram para 48,7, bem abaixo dos esperados 51.

No comentário que acompanha a divulgação dos dados, Chris Williamson, economista chefe na S&P Global Market Intelligence, reconheceu que a inflação tem dado sinais de recuo, algo espelhado no avanço menos expressivo em dois anos e meio dos custos intermédios. No entanto, tal vem com um peso considerável do lado da atividade.

“Uma nova contração da economia já parece inevitável, dado que a queda progressivamente mais grave da indústria é acompanhada de uma débil recuperação do lado dos serviços”, lê-se na nota.

A economia britânica está assim “numa das mais agressivas contrações da atividade desde a crise financeira global”, isto excluindo a crise pandémica, acrescenta Chris Williamson. Os medos de recessão voltam em força, isto antes da reunião de setembro do Banco de Inglaterra, para a qual a decisão de política monetária é ainda uma incógnita.

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