PSP avança com protesto no aeroporto de Lisboa e não exclui “grande” manifestação

Líder do maior sindicato da PSP acusa Governo de desvalorização salarial, bloqueio das pré-aposentações e corte de folgas. Ausência de resposta leva a reforço de medidas de protesto: além de novo plenário no aeroporto de Lisboa, está prevista a concentração de polícias durante a realização de um Conselho de Ministros, presença na Assembleia da República nos debates quinzenais. Caso não sejam apresentadas propostas, não está excluída uma “grande” manifestação de polícias.

PSP avança com protesto no aeroporto de Lisboa e não exclui “grande” manifestação
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A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) decidiu esta quarta-feira, 14 de janeiro, avançar a 29 de janeiro com um novo plenário de protesto no aeroporto de Lisboa, em contestação à falta de respostas do Governo para os problemas enfrentados pelos polícias colocados nas fronteiras aéreas. Acusa Executivo de Montenegro de insistir em não cumprir o acordo celebrado com a ASPP para a negociação da tabela remuneratória, suplementos e portaria de avaliação. Ausência de resposta leva a intensificação de medidas de protesto que poderão culminar numa “grande” manifestação de polícias.

Em declarações ao JE, o presidente da ASPP/PSP, Paulo Santos, avança que o protesto, decidido na reunião da direção desta quarta-feira, surge devido ao incumprimento do acordo assinado com o Governo em julho de 2014, que levou à rutura das negociações. Isto porque, frisa Paulo Santos, “o governo insiste em não cumprir o acordo celebrado com a ASPP para a negociação da tabela remuneratória, suplementos e portaria de avaliação”. A iniciativa poderá provocar constrangimentos no funcionamento do aeroporto e surge após um plenário realizado em novembro, no qual a ASPP já tinha avisado que os protestos continuariam caso não fossem apresentadas soluções concretas.

A nova iniciativa de protesto, diz, surge “face à má gestão na realidade aeroportuária e de fronteira, com constante mentira, prejuízo no serviço das esquadras e num claro desrespeito para com os profissionais da PSP”. E nesse sentido, acrescenta, “avança com alargamento de competências, com novas valências, recorrendo à desvalorização profissional, ao corte de direitos e ao recurso a polícia low cost”.

Para o líder da ASPP/PSP, “se a PSP tem condições de avançar para serviços de muita complexidade, devem os seus profissionais ser valorizados”, realçando que “face ao seu afastamento das negociações – motivado pela falta de seriedade do Governo e pelo incumprimento do acordo celebrado -, e após os protestos realizados no final de 2025 junto à residência oficial do primeiro-ministro e no Aeroporto de Lisboa, constatou total ausência de respostas”.

Face à ausência de respostas do Executivo, diz Paulo Santos, foi decidido um plenário a 29 de janeiro, que se realiza entre as 07:00 e as 11:00, no aeroporto de Lisboa e uma concentração de polícias no exterior.

“A partir de fevereiro vamos também avançar com ações em diversos comados da PSP com vista ao levantamento de debilidades, das condições de trabalho e violação de direitos” E vamos expor publicamente essas deficiências”, acrescenta o dirigente da ASPP/PSP, sindicato que promoveu, em dezembro, um plenário de protesto no aeroporto de Lisboa, devido à ausência de resposta do Governo face aos problemas dos polícias.

Paulo Santos dá ainda conta que estão previstas outras ações de protesto como a concentração de polícias durante a realização de um Conselho de Ministros e a permanência de polícias nas galerias da Assembleia da República durante os debates quinzenais.

O presidente da ASPP/PSP revela ainda que “caso o Governo não altere a sua linha de ação, avançará para concentrações em eventos de relevo nacional, sociais e desportivos, protestos junto ao MAI e a organização de uma grande manifestação de polícias a nível nacional”.

A ASPP/PSP mantém-se disponível para reunir com o Governo, desde que este cumpra a palavra dada e apresente uma proposta concreta sobre o que foi acordado – tabela remuneratória, suplementos e portaria de avaliação.

Na última reunião com a tutela, em que a ASPP/PSP já não esteve presente, os sindicatos da PSP receberam a garantia do Ministério da Administração Interna de que todos os suplementos – turno, piquete, comando, residência e serviço especial, atribuídos de acordo com a função que o polícia desempenha, vão ser revistos. No entanto, até que esta alteração aconteça, serão atualizados em 2,15%, tal como vai acontecer em toda a função pública.

Este sindicato, o maior da PSP, abandonou as negociações com o ministério da Administração Interna no final de novembro do ano passado, acusando o Governo de não estar a cumprir o acordo celebrado em julho de 2024, que inclui a negociação para revisão da carreira remuneratória e dos suplementos.

Do plenário de novembro resultou um documento sobre o controlo de passageiros nas fronteiras aeroportuárias — uma competência assumida pela PSP há dois anos, após a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) —, enviado ao Governo, à direção nacional da PSP, à Inspeção-Geral da Administração Interna e aos partidos políticos.

Para a ASPP, o fim do SEF e a criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras “apenas perpetuaram as deficiências existentes”, revelando, acusa o sindicato, “uma estratégia governativa de implementação de uma polícia ‘low cost’ e a contínua desvalorização dos profissionais”.

Os tempos de espera no aeroporto de Lisboa têm sido elevados e agravaram-se em dezembro, tendo a ministra da Administração Interna anunciado o reforço temporário de 80 polícias da PSP, com o objetivo de garantir o funcionamento regular do controlo de fronteiras e a segurança num período de maior afluência.  E também o reforço com 24 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), desde 6 de janeiro, medida aprovada pelo Governo para reduzir os tempos de espera na zona das chegadas. Não se sabe, por agora, quanto tempo vão ficar os militares da GNR a prestar serviço no Aeroporto Humberto Delgado.

Além do reforço de meios no aeroporto, o Governo decidiu ainda, no mês passado, suspender o sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários durante três meses, para evitar esperas mais longas no aeroporto.

Recorde-se que a Comissão Europeia levou a cabo uma avaliação sem aviso prévio ao aeroporto de Lisboa entre 15 e 17 de dezembro e concluiu que há “deficiências graves” no controlo de segurança de fronteiras. Foram os alertas dos peritos de Bruxelas que levaram o Governo a adotar medidas urgentes, nomeadamente a suspensão do denominado Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia.

Mais de 11 milhões de passageiros controlados pela PSP

A Polícia de Segurança Pública (PSP) avançou nesta quarta-feira, 14 de janeiro, que estes profissionais recusaram a entrada a 1.867 passageiros, dos 11.377.097 que controlaram no Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa no ano passado.

De acordo com dados provisórios divulgados pela PSP em comunicado, 6.495.621 dos registos dizem respeito a entradas de passageiros em território nacional através daquele aeroporto e 4.881.476 correspondem ao número de registo de saídas.

Na fronteira aérea em Lisboa, provenientes de fora do Espaço Schengen, a PSP recusou a entrada no aeroporto de Lisboa a 1.867 pessoas e deteve 263.

A PSP intercetou no ano passado 25.736 passageiros, registou 9.490 medidas cautelares e detetou 464 fraudes documentais.

A PSP, através da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), criada em agosto, é responsável pela segurança das infraestruturas de aviação civil e pelo controlo das fronteiras aéreas em Portugal.

No comunicado, a PSP reafirma “o seu compromisso com a segurança no controlo das fronteiras externas, bem como na cooperação judiciária europeia, contribuindo para a localização e detenção de indivíduos procurados pela prática de criminalidade grave”.

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