A análise é da Maxyield e diz que o PSI tem um crescimento mensal de 3,5% em novembro. O índice da bolsa de Lisboa valorizou 13,1% desde o início do ano e teve um crescimento de 10,4% em relação a idêntico mês do ano anterior.
Já os mercados internacionais “apresentaram forte e generalizado crescimento mensal, com excepção da China”.
“Os mercados internacionais em novembro, com excepção da China, sofreram uma crescente trajetória uniforme”, diz a Maxyield, que lembra que este comportamento dos mercados internacionais, vem sendo referido na comunicação social especializada como um rally bolsista.
Destaque para o espanhol IBEX que no mês de novembro acompanhou de forma mais acentuada a onda positiva dos mercados internacionais, com uma evolução de 11,5% sendo que o crescimento anual é de 22,2%. O índice de Madrid foi marcado positivamente pelo sector bancário, e serviços (comunicação, imobiliária e seguros), e afetado negativamente pela rede elétrica e atividade petrolífera.
A Maxyield destaca que o PSI fechou o mês muito aquém da evolução dos mercados internacionais em novembro (com excepção da China) e diz que “a força do PSI foi travada no inicio de novembro com a queda do Governo”.
No entanto, o PSI mantém um crescimento anual superior aos mercados europeu, chinês e emergentes. Uma vez que os índices norte-americanos e japonês registaram um forte crescimento anual e significativamente acima do PSI.
“O PSI em 2023 está cada vez mais distante do forte ritmo de crescimento mensal e anual do mercado espanhol”, salienta a associação Maxyield – Clube dos Pequenos Acionistas.
Evolução mensal do PSI
O PSI terminou o mês de novembro com o valor de 6.474,6 pontos, que representa um crescimento mensal de 3,5% num contexto em que os mercados internacionais, com excepção da China, sofreram uma forte e generalizada evolução positiva.
A associação destaca que a banda de variação mensal do PSI oscila entre a subida de 20,4% da Mota-Engil e a queda de 3,9% da Galp.
No mês de novembro, são 10 as sociedades cotadas do PSI que tiveram variação mensal positiva.
“A evolução do setor energético, da Mota-Engil, do BCP, das papeleiras e das retalhistas, com peso considerável no PSI, permitiu a performance obtida pelo índice, na continuação da valorização ocorrida no mês anterior”, revela a análise.
As ações com crescimento mensal no mês de novembro foram a Mota-Engil (20,4%), a Greenvolt (12,7%), a EDP (10,5%), a EDP Renováveis (10,3%), o BCP (6,4%), a Altri (4,2%), a Jerónimo Martins (4,2%), a Semapa (1,5%), a Ibersol (0,6%) e a Navigator (0,3%).
Já no que toca a quedas das cotações em novembro, a Galp lidera (-3,9%). Segue-se a NOS (-1,4%), a Corticeira Amorim (-1,3%), os CTT (-1,2%), a REN (-1%) e a Sonae SGPS (-0,1%).
A trajetória do PSI em novembro “mostra que após um crescimento inicial, interrompido com o anuncio da queda do Governo, a bolsa nacional sofreu uma evolução errática, tendo recuperado na parte final do mês”.
“Entretanto, o PSI ultrapassou o nível de resistência correspondente ao limite superior da faixa de variação [5.750 pontos – 6.300 pontos], que constitui um referencial para níveis atingidos há sete anos e o posicionamento dominante em 2022 e 2023”, destaca a associação de pequenos acionistas.
A Maxyield destaca que o PSI entrou na faixa de variação acima [6.300 pontos – 7.750 pontos], momentaneamente no mês de junho do ano passado (2022), “cuja banda de variação nos reporta para máximos que ocorreram em 2014 e níveis atingidos há 9 anos”, revela a Maxyield que considera que “a consolidação do posicionamento na nova faixa de variação abre um espaço de valorização bolsista”.
Variação anual
A evolução anual do PSI é aferida mediante a comparação do índice e cotações observadas no final da sessão do último dia útil de novembro deste ano com os valores verificados em 31 de dezembro de 2022, avança a autora da análise.
Segundo a análise, em novembro ampliou-se o crescimento anual do PSI, que passou para uma valorização de 13,1% desde o início do ano. “O comportamento anual continua marcado por forte volatilidade a partir do mês de março”, constata a Maxyield.
Esta variabilidade encontra-se associada aos impactos da dividend season, ao “arrastamento” pela espuma de diversas marés vermelhas num contexto de incerteza internacional, earning seasons e outras externalidades de âmbito nacional com impacto no mercado de capitais, acrescenta.
O perfil da evolução anual revela uma boa performance dos meses de abril, junho, julho, outubro e novembro.
A banda de variação anual é bastante ampla, oscilando entre a subida de 215,8% da Mota-Engil e a queda de 18,6% da EDP Renováveis.
Há nove títulos em crescimento anual e sete com diminuição de valor. É de referir, que no limite inferior da banda de variação anual, a Greenvolt que ocupou este lugar ao longo de vários meses, foi substituída pela EDP Renováveis em outubro e novembro.
As sociedades com variação anual positiva são a Mota-Engil (215,8%), o BCP (110,5%), a Ibersol (22,1%), os CTT (15,6%), a Jerónimo Martins (12,5%), a Semapa (9,7%), a Navigator (9,1%), a Galp (8,3%) e a Corticeira Amorim (3,8%).
Já a sete sociedades com quebra na cotação anual são a EDP Renováveis (-18,6%), a NOS (-10%), a Greenvolt (-8,8%), a EDP (-5,8%), a Altri (-4,9%), a REN (-3,4%) e a Sonae SGPS (-0,7%).
“O PSI mantém o seu bull market, e apresenta um crescimento anual superior aos mercados europeu, chinês e emergentes”, acrescenta a Maxyield que destaca que “a NOS e a EDP entraram tecnicamente no nível de bear market, mediante desvalorização de 20% relativamente ao máximo anterior, e ainda não regressaram à situação de bull market”.
A Altri, a Galp, a EDP Renováveis e a Greenvolt, que também atingiram no decurso de 2023 o nível de bear market, já saíram desta situação, com valorização superior a 20% relativamente ao mínimo atingido.
Já no que se refere à variação homóloga do PSI – avaliada através de comparação do índice e cotações observadas no final da sessão do último dia útil de novembro, com os valores finais de idêntico mês do ano anterior – verifica-se que houve uma subida de 10,4%, “cuja avaliação deve ter em conta o efeito base, designadamente o baixo nível atingido em setembro de 2022 e posterior processo de recuperação”, acrescenta a associação.
O top five de maior crescimento homólogo, envolve a Mota-Engil (+199,9%), o BCP (+101,8%), a Ibersol (+19,9%), a Galp (+15,9%) e os CTT (+11,9%).
No pólo oposto, as cotadas com maior diminuição homóloga foram a EDP Renováveis (-24%), a Altri (-14,5%), a Greenvolt (-11,5%), a NOS (-11,4%) e a Semapa (-5,4%).
“A variação homóloga confirma a forte desaceleração das energias renováveis, que continuam a não viver os seus melhores dias, devido ao sobreaquecimento dos mercados de grande dimensão e influência negativa do aumento das taxas de juro”, refere a Maxyield que acrescenta que as “papeleiras continuam a evidenciar um comportamento menos depressivo, relativamente ao passado recente”.
“As retalhistas Jerónimo Martins e a Sonae SGPS, que no seu conjunto têm um peso de 21% no PSI, apresentam um comportamento oposto, com claro prejuízo para a segunda”, conclui a associação.
Nos mercados internacionais, o destaque vai para o índice S&P 500, composto pelas maiores 500 sociedades cotadas na NYSE, que após uma queda de 19,4% em 2022, apresenta em novembro deste ano um crescimento anual de 19%, tendo entrado em junho na situação de bull market. O índice norte-americano apresenta relativamente ao último mínimo um crescimento de 27,4%.
No entanto, nos meses de agosto, setembro e outubro o índice S&P 500 sofreu quebras de -1,8%, -4,9% e -2,2% respetivamente, cuja situação se inverteu no mês de novembro de forma significativa.
O índice tecnológico americano NASDAQ, que entrou no mês de maio em bull market, apresenta um aumento anual de 35,9%.
O índice europeu Stoxx 600, que agrega as 600 maiores sociedades cotadas da Europa (não apenas da zona euro), após uma diminuição de 12,9% em 2022, entrou em bull market em fevereiro deste ano, destaca a Maxyield.
O Stoxx 600 apresenta um crescimento anual de 8,6%, ficando o benchmark europeu muito abaixo do PSI.
Nos meses de agosto, setembro e outubro o índice STOXX 600 sofreu uma diminuição de -2,7%, -2% e -3,7% respetivamente, cuja situação se inverteu no mês de novembro.
“O comportamento em novembro dos índices europeu e norte-americanos, após o período agosto-outubro, corresponde a um rally bolsista de assinalável dimensão e animado por perspetivas favoráveis relativamente às taxas de juro, níveis de inflação, mercado de trabalho e evolução do PIB”, refere a Maxyield que sublinha que os mercados francês e alemão sofreram um grande impulso em novembro, continuando com importante crescimento anual.
As dificuldades da “bazuca” chinesa para acelerar o crescimento económico e comportamento do sector imobiliário ajudam a explicar o desempenho negativo do mercado chinês a nível mensal e anual.
A Maxyield diz ainda que a partir de agosto o MSCI Emerging Markets iniciou uma trajetória de quebra à semelhança da generalidade dos mercados internacionais desenvolvidos, que foi invertida no mês de novembro através dum aumento de 7,1% em linha com o rally bolsista, colocando o crescimento anual em 2,9%.