Quinta-feira, dia 02 de novembro assinala o início do projeto de descentralização “Imagens em Movimento”, que a Cinemateca Portuguesa pretende desenvolver ao longo de um ano e que surge na sequência do programa de digitalização do cinema português em curso pela Cinemateca, que tem como principais objetivos a divulgação do património cinematográfico português em todo o país e o apoio a atividades locais, bem como a dinamização de redes de exibição.
Montemor-o-Novo, mais concretamente o Cine-Teatro Curvo Semedo, é a primeira localidade a acolher esta iniciativa, até dia 11 de novembro, com um programa dedicado ao sonoplasta Alexandre Gonçalves. Natural de Évora, este profissional do cinema trabalhou o som de mais de 40 filmes de realizadores como Fernando Lopes, José Fonseca e Costa, António Campos e João César Monteiro, sendo considerado pela Cinemateca, “uma das figuras incontornáveis do Cinema Novo português”.
O programa inclui, ainda, uma exposição com peças do acervo da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e do Cine-Teatro, com vista a fazer “uma breve introdução à história do som no cinema português”, e foi desenhado em parceria com o Cineclube e a Filmoteca Municipal de Montemor-o-Novo.
E como o projeto “Imagens em Movimento” não pretende apenas divulgar o património cinematográfico português, também estão pensadas ações para promover “a disseminação” desse mesmo património, seja através do apoio a “iniciativas locais de programação”, em colaboração com associações e cineclubes, seja através do estímulo e fomento da “reflexão sobre as estratégias e desafios de programar cinema de património” por todo o país, sem descurar “o passado, presente e futuro das redes nacionais de exibição em sala”.
Neste sentido, está prevista uma oficina sobre a natureza e a evolução do som no cinema, com orientação do engenheiro de som Franco Bosco, técnico de preservação da Cinemateca, com sessões orientadas para o público escolar, numa colaboração do Plano Nacional de Cinema com o Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo.
Projeto de descentralização ruma a novas paragens
Ainda está a decorrer “o mapeamento das entidades” com quem o projeto “Imagens em Movimento” será posto em prática, mas já existem colaborações fechadas entre a Cinemateca e a Associação Ao Norte, de Viana do Castelo, os cineclubes da Maia, de Pombal, Avanca, Abrantes (Espalha Fitas), Torres Novas, Mértola e Faro, assim como com a Associação Provisória – Saboia, de Odemira.
Este projeto está a ser desenvolvido com o ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, e “será também progressivamente incrementada a articulação com a Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses”, salienta a Cinemateca, reforçando que se pretende que “este projeto crie raízes sólidas para uma relação continuada” com agentes locais. Para a Cinemateca Portuguesa, é também sua missão, através deste projeto, contribuir para “aprofundar conhecimento sobre a história do cinema português, reaproximá-la do território e dos públicos […] e estimular a sustentabilidade de uma rede de divulgação deste património coletivo.”
Em outubro de 2024 será feito um balanço desta iniciativa, tendo presente a crescente importância da digitalização, na medida em que esta permite que filmes em película possam ser projetados nos sistemas atuais, o que amplia as oportunidades de divulgação. Uma visão em linha com o projeto em curso da Cinemateca – num investimento que rondará os nove milhões de euros, com participação do Plano de Recuperação e Resiliência – de digitalizar o património cinematográfico à sua guarda, num projeto que envolve 43 mil minutos de obras cinematográficas e que será desenvolvido até 2026.