Portugal é o segundo país europeu que mais viu os impostos sobre o rendimento descer de 2021 a 2025, segundo os dados da OCDE analisados pela Bestbrokers. A consultora e analista financeira teve em conta o imposto sobre o rendimento e as contribuições para a segurança social pagos pelos trabalhadores com rendimento médio na Europa.
“Vários membros europeus da OCDE aliviaram a carga fiscal individual sobre o rendimento médio neste período. A República Checa registou a maior redução, com os impostos totais a caírem 3,9 pontos percentuais, seguida de Portugal (-2,4), do Reino Unido (-1,9), da Suécia (-1,6) e tanto da Alemanha como dos Países Baixos (-1,5 cada)”, pode ler-se no documento, em que a análise incorpora também dados da Tax Foundation sobre as taxas máximas do IRS, “permitindo uma comparação direta entre as taxas nominais aplicáveis aos rendimentos mais elevados e os impostos que a maioria dos trabalhadores efetivamente paga”.
Em sentido contrário, “os impostos sobre o rendimento médio aumentaram de forma significativa em vários países europeus nos últimos anos”, com destaque para a Estónia, que “registou a mudança mais acentuada, com a percentagem do salário bruto absorvida por impostos pessoais a subir 4,9 pontos percentuais, de 15,6% em 2020 para 20,5% em 2024”. Também “o Luxemburgo e a Irlanda registaram aumentos igualmente relevantes, com as deduções sobre salários médios a crescerem 3,2 pontos percentuais em cada país no mesmo período”.
Independentemente da evolução dos últimos anos, são os belgas que “enfrentam a carga fiscal pessoal mais elevada da Europa”, com cerca de 25,7% do salário médio pago em imposto sobre o rendimento, “a que se juntam mais 14% em contribuições para a segurança social, resultando em deduções totais de 39,7% do salário bruto médio”. Além disso, Lituânia (38,2%), Alemanha (37,4%) e Dinamarca (35,7%) fazem parte do lote de países com níveis elevados de tributação sobre os trabalhadores.
Já a Suíça “apresenta a carga fiscal mais leve sobre salários médios, com os trabalhadores a pagarem apenas 18% do seu rendimento bruto em impostos pessoais”. Estónia (20,5%), República Checa (21%), Reino Unido (21,4%) e Espanha (22,5%) também “mantêm deduções relativamente baixas sobre os rendimentos médios”.
Alan Goldberg, analista na BestBrokers, considera que estes dados “mostram que a carga fiscal na Europa é moldada menos pelas taxas nominais do imposto sobre o rendimento e mais pela forma como os países financiam os seus sistemas de bem-estar social”. Por um lado, “nos Estados que dependem fortemente das contribuições para a segurança social dos trabalhadores, quem aufere o salário médio enfrenta deduções sistematicamente elevadas, independentemente de as taxas máximas do imposto sobre o rendimento subirem ou descerem”. Mas, por outro, “os países que concentram a progressividade nos escalões do imposto sobre o rendimento e nas deduções tendem a proteger os salários típicos, mesmo quando as taxas marginais aplicáveis aos rendimentos mais elevados são acentuadas”. O resultado “é uma grande diferença entre a forma como os sistemas fiscais parecem no papel e a forma como são vividos pela maioria dos trabalhadores”, considera o analista.