Portugal tem “condições para liderar” transição verde, defende presidente da ADENE

"Temos recursos naturais, competências técnicas, um sector estável, ambição política e uma sociedade civil que já percebeu que a transição não é um custo, mas sim vital ao nosso desenvolvimento", sublinhou Nelson Lage no arranque da conferência 'Revolução Energética em Curso', organizada pelo JE.

Portugal tem “condições para liderar” transição verde, defende presidente da ADENE
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Portugal chega a 2025 numa “posição muito boa em matéria energética e climática” e que deixa o país capacitado para liderar a Europa no esforço de descarbonização e transição verde, dado o trabalho que tem sido feito nos últimos anos, os recursos naturais à disposição e uma consciencialização da sociedade civil para a importância desta agenda. Ainda assim, subsistem desafios, sobretudo ao nível do capital humano e pela incapacidade global em chegar a acordos.

No arranque da conferência “Revolução Energética em Curso”, organizada pelo JE esta quarta-feira em Lisboa, Nelson Lage, presidente da ADENE – Agência para a Energia, começou por relembrar o falhanço dos líderes globais na COP30, realizada recentemente em Belém, no Brasil, em atingirem um acordo que limite as emissões de gases provenientes de combustíveis fósseis. Traçando um paralelo com o incêndio que deflagrou no recinto do encontro, Nelson Lage classificou a questão climática como “uma maratona em que não nos importarmos muito se cruzamos a meta ou não”.

“Enquanto os líderes de mais de 100 países discutiam virgulas e compromissos, a sala estava literalmente a arder”, ilustrou, considerando que este cenário é “um espelho do que está a acontecer no mundo”.

Perante este falhanço global, caberá aos governos nacionais assumirem o ónus desta transição – e é precisamente neste capítulo que Portugal se destaca. O país coloca-se numa posição favorável em inúmeros indicadores europeus, sendo “dos poucos países europeus que já eliminou o carvão”, conseguiu descarbonizar a produção elétrica e “reduzimos a dependência energética para mínimos históricos”, o que contribuiu decisivamente para “estabilizar preços numa altura de grande volatilidade”.

Outro fator positivo é a política energética nacional, que não só tem sido “muito equilibrada”, como tem beneficiado de um “pacto de regime” que tem permitido manter a estabilidade apesar das trocas recorrentes de governo e de força política na liderança.

Por outro lado, “há um claro foco na transposição de diretivas [europeias] on time” e Portugal é dos países “onde a energia renovável tem mais peso”, completou. Apesar de subsistirem desafios, nomeadamente o armazenamento e eficiência, a mensagem do presidente da ADENE é clara.

“Temos condições para liderar, não tenhamos medo de o dizer. Temos recursos naturais, competências técnicas, um sector estável, ambição política e uma sociedade civil que já percebeu que a transição não é um custo, mas sim vital ao nosso desenvolvimento”, atirou, resumindo: “deixámos de ser o bom aluno para passar a ser uma referência que inspira”.

Ainda assim, Nelson Lage aponta a que, na sua opinião, continua a ser a principal lacuna nacional neste desígnio, “um défice de talento verde”.

“Sem estas pessoas, a transição pode ficar comprometida. É muito importante o investimento em formação e certificação. A transição energética só vai vencer se for justa e só será justa se tivermos pessoas capazes de dar resposta”, rematou.

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