Portugal com mais baixa poupança da zona euro devido “a elevada carga fiscal, baixos salários e baixa literacia”, alerta Deco

De acordo com a Deco, “é nos momentos de crise”, como o período de intervenção da Troika entre 2010 e 2014, que os agregados em Portugal “demonstram que as famílias têm capacidade de poupança, ainda que pontuais”.

Portugal com mais baixa poupança da zona euro devido “a elevada carga fiscal, baixos salários e baixa literacia”, alerta Deco
Leitor 5e060bb28ee94 Dinheiro Poupanca Investimento.jpg

A “elevada carga fiscal sobre a poupança”, os “salários baixos” e as “baixas competências de literacia financeira” são, de acordo com a Deco, alguns dos fatores de peso que contribuem para que Portugal se mantenha como o país da zona euro com o nível de poupança das famílias mais baixo, de acordo com os mais recentes números do Eurostat.

No terceiro trimestre do ano passado, a taxa de poupança dos agregados familiares caiu para 7,07%, uma tendência explicada pela subida dos juros e do forte agravamento dos preços. No trimestre anterior, a taxa tinha sido de 7,67%. A percentagem nacional encontra-se substancialmente abaixo da média da zona euro, que se fixou nos 14% no terceiro trimestre (14,3% no segundo trimestre).  

Em declarações ao JE, a Deco defende a necessidade da redução do imposto sobre o rendimento dos produtos financeiros de forma a estimular a poupança.

“A criação de produtos de poupança, de curto prazo, que estimulem a constituição de fundo de emergência, incentivando as famílias a constituírem uma almofada financeira para enfrentar dificuldades imprevistas. Aumentar os benefícios fiscais dos planos de poupança-reforma (PPR), um dos produtos mais apreciados pelos portugueses, pode ser também um bom caminho a seguir”, explica, alertando que, “com o decorrer dos anos, e sucessivos governos, o benefício fiscal foi sendo progressivamente reduzido”. 

A Deco alerta ainda que “os orçamentos das famílias, em especial das de menores rendimentos, continuarão a estar sob a pressão da subida dos preços e das taxas de juro” este ano, pelo que considera “importante que tenham alguma capacidade de poupar e que privilegiem nos seus orçamentos o objetivo da poupança, nomeadamente para acautelarem despesas inesperadas”.  

Contudo, de acordo com a Deco, “é nos momentos de crise”, como o período de intervenção da Troika entre 2010 e 2014, que os agregados em Portugal “demonstram que as famílias têm capacidade de poupança, ainda que pontuais” 

Durante a vigência da intervenção da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional em Portugal, “a taxa de poupança atingiu 11,6%, e no período da pandemia da covid-19, subiu até aos 13,8 por cento”, explica a Deco, acrescentando que, “desde então, tem vindo a descer”.  

Cruzando esta questão com a amortização dos créditos à habitação através de poupanças, a Deco remete para dados do Banco de Portugal. De acordo com o banco central, “atendendo à subida dos encargos com o serviço de dívida e ao diferencial significativo face às taxas de remuneração dos depósitos, muitas famílias com poupança acumulada reduziram, parcial ou totalmente, os seus créditos à habitação”, tendo ainda canalizado “parte das suas poupanças para amortizações antecipadas, parciais e totais, dos empréstimos à habitação”. 

Quanto ao investimento dos agregados familiares, o mesmo boletim dá conta de uma queda da taxa bruta de 5,87% no segundo trimestre do ano passado para 5,72% no final de setembro de 2023.  

Recordando que Portugal “tem uma das mais elevadas cargas fiscais sobre a poupança” e “salários baixos que, muitas vezes, não nos permitem poupar e de a maioria das famílias ter baixas competências de literacia financeira. Enfim, tudo ingredientes que acabam por contribuir para a baixa taxa de poupança das famílias.

Relacionado