PM timorense afirma que próxima presidência da CPLP depende do “conselho consultivo”

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou em junho, na sede da CPLP, que o seu país será o próximo a dirigir a organização, explicando que a presidência atual corresponde ao período que estava destinado à Guiné-Bissau, que foi suspensa da organização após o golpe de Estado de novembro de 2025.

PM timorense afirma que próxima presidência da CPLP depende do “conselho consultivo”
Xanana Gusmão

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou hoje que a próxima presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) depende do “conselho consultivo”, tendo afirmado anteriormente que Timor-Leste seria o próximo país a dirigir a organização.

“Tudo depende do conselho consultivo da CPLP”, disse Xanana Gusmão, quando questionado pela Lusa sobre o facto de o Presidente timorense, José Ramos-Horta, defender que a presidência deveria ser entregue ao Brasil.

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou em junho, na sede da CPLP, que o seu país será o próximo a dirigir a organização, explicando que a presidência atual corresponde ao período que estava destinado à Guiné-Bissau, que foi suspensa da organização após o golpe de Estado de novembro de 2025.

Em entrevista à Lusa, o Presidente timorense defendeu que a próxima presidência da CPLP deve ser do Brasil, justificando a sua posição com o facto de Timor-Leste ir assumir a presidência da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASENA) em 2029.

“Já estamos a trabalhar a todo o vapor nas agendas domésticas e na agenda ASEAN 2029. Portanto, não creio que vá sobrar tempo e recursos para assumirmos as responsabilidades da CPLP para além de 2027”, salientou o chefe de Estado.

Timor-Leste vai também realizar eleições presidenciais em 2027 e legislativas em 2028.

Na cimeira de Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a consenso sobre a atribuição da próxima presidência da organização lusófona, com uns a apoiarem a Guiné Equatorial e outros o Brasil.

“Não chegámos a uma decisão. Houve oposição forte por parte do país anfitrião ao Brasil e a Guiné-Bissau apoiava a Guiné Equatorial. Mas eu creio que a Guiné Equatorial poderia concordar em que é preferível entregarmos ao Brasil e depois do Brasil, podíamos voltar a África e então para a Guiné Equatorial”, disse o Presidente timorense.

O assunto da próxima presidência da organização lusófona deverá ser abordado no Conselho de Ministros da CPLP, que vai realizar-se em Díli entre 18 e 19 de agosto.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Relacionado

Xanana Gusmão afirma que Inteligência Artificial pode ser risco para soberania

Xanana Gusmão afirma que Inteligência Artificial pode ser risco para soberania

“A IA pode tornar burlas, fraudes e campanhas de desinformação política muito mais convincentes através da criação de vozes, imagens e vídeos realistas de acontecimentos que nunca ocorreram”, disse o primeiro-ministro de Timor Leste, Xanana Gusmão, no discurso de abertura da Cimeira Ciência para o Desenvolvimento, que decorre até terça-feira no Centro de Convenções de Díli.
Independência política deve ser acompanhada de integridade e competência, diz Ramos-Horta

Independência política deve ser acompanhada de integridade e competência, diz Ramos-Horta

“A independência política deve ser acompanhada por uma governação baseada na integridade, na prestação de contas, na competência e no compromisso de colocar os recursos nacionais ao serviço do povo e das futuras gerações”, afirmou José Ramos-Horta num discurso por ocasião do 51.º aniversário das Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste [Falintil] – Forças de Defesa de Timor-Leste (FDTL).