Xanana Gusmão afirma que Inteligência Artificial pode ser risco para soberania

“A IA pode tornar burlas, fraudes e campanhas de desinformação política muito mais convincentes através da criação de vozes, imagens e vídeos realistas de acontecimentos que nunca ocorreram”, disse o primeiro-ministro de Timor Leste, Xanana Gusmão, no discurso de abertura da Cimeira Ciência para o Desenvolvimento, que decorre até terça-feira no Centro de Convenções de Díli.

Xanana Gusmão afirma que Inteligência Artificial pode ser risco para soberania
Xanana Gusmão

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou esta segunda-feira 24 de agosto que a Inteligência Artificial (IA), que torna o conhecimento mais acessível, mas a fraude também, pode ser um risco para a soberania dos países.

“A IA pode tornar burlas, fraudes e campanhas de desinformação política muito mais convincentes através da criação de vozes, imagens e vídeos realistas de acontecimentos que nunca ocorreram”, disse Xanana Gusmão, no discurso de abertura da Cimeira Ciência para o Desenvolvimento, que decorre até terça-feira no Centro de Convenções de Díli.

“O perigo não reside apenas no facto de as pessoas acreditarem no que é falso. Se tudo puder ser fabricado, as pessoas podem também começar a duvidar daquilo que é verdadeiro”, salientou o primeiro-ministro.

Para o primeiro-ministro, a IA pode também ser um risco para a soberania.

“Nesta nova era tecnológica, devemos questionar o que acontece quando empresas se tornam mais ricas do que países e quando essas empresas controlam tecnologias das quais dependem governos, empresas e comunidades”, afirmou o líder timorense.

“Já o vemos quando empresas de inteligência artificial reúnem a riqueza do conhecimento humano e a revendem através de subscrições mensais”, sublinhou Xanana Gusmão, salientando que o conhecimento que foi construído ao longo de séculos por pessoas agora está a ser “apropriado e comercializado”.

Segundo Xanana Gusmão, a IA vai passar a fazer parte do quotidiano das pessoas, mas é “apenas um elemento de uma transformação científica e tecnológica muito mais ampla”.

“O maior desafio é saber se Timor-Leste possui o conhecimento e as competências necessárias para compreender estas mudanças e utilizá-las em benefício do seu próprio desenvolvimento”, disse, lembrando que é preciso reforçar a educação científica e técnica.

O primeiro-ministro acrescentou que o progresso científico é uma ferramenta para melhorar a vida humana, mas que as pessoas devem “continuar a deixar espaço para a poesia da vida”.

A Cimeira Ciência para o Desenvolvimento, organizada pela Presidência e Governo timorenses, conta com a presença de vários laureados com o prémio Nobel, vencedores do prémio Turing, e cientistas.

O prémio Turing, também conhecido como o “Prémio Nobel da Computação” é atribuído anualmente pela Association for Computing Machinery dos Estados Unidos, por contribuições de importância técnica duradoura e significativa para esta área.

O prémio tem o nome de Alan Turing (1912-1954), um matemático britânico e professor de matemática na Universidade de Manchester, também conhecido como o pai da ciência da computação.

O encontro, segundo a Presidência timorense, é o maior “alguma vez realizado no sudeste asiático”.

O objetivo da cimeira é reforçar o perfil internacional de Timor-Leste e promover o desenvolvimento através da educação, diplomacia e cooperação internacional.

“Esta cimeira não é apenas um encontro, é uma declaração de que Timor-Leste está pronto para passar de consumidor a produtor de conhecimento. Temos de transformar a nossa extraordinária diversidade natural e humana em soluções para a agricultura, a saúde, a educação e a prosperidade sustentável”, afirmou o Presidente timorense, na sessão de abertura.

A cimeira decorre em simultâneo com a Sci-Tech Expo 2026, onde são apresentadas, incluindo por jovens universitários, soluções tecnológicas práticas adaptadas ao contexto timorense.

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